Desce a Lua, e sinto olhares a me rondar
Será que é o reflexo
das águas de algum lago onírico?
Ou tu és um peixe que me fita na escuridão dessas águas?
Por vezes deixo que a solidão do vale me domine
Por vezes busco a paz de uma montanha
Por vezes desejo ser como as brasas amainadas de um vulcão:
Fazer mais fortes os frutos da terra
E quando estou tão senhora de mim percebo que
Quero estar naquele trigal verdejante que
contemplo à distância,
tão palpável,
mas tão longe
O que seria da vida se existissem só as planícies?
Pergunto pois quero conhecer as profundezas do teu mar
Ah, mas as pedras tem inveja do meu coração, que as vezes é tomado
por uma certa tristeza,
Por um certo marasmo
Aí vem os terremotos
que maldizem o tédio
E eu me lembro que
Caminhar já é bom
Mas queria ter sempre o Sol
Por companheiro
Perdão por deixar que, em certos momentos,
as falhas prevaleçam na paisagem...
Te ofereço as flores que plantei,
para que as cultives, e não arranques
Mas, qual será tua resposta? Estarás na planície ou no pântano?
terça-feira, 31 de outubro de 2006
sexta-feira, 20 de outubro de 2006
O inferno são os outros?
Aviso aos navegantes:Post desabafo. Mais um. Já começo concluindo... Agora vamos ao início: o que me motivou a escrever isto: encantam-me varias coisas no universo da linguagem, que vão desde o pensamento lógico e reflexivo até as emoções humanas, desde as mais sublimes até as barbaridades que se pode cometer quando a razão já está fraca. Ou seja, toda interioridade do ser humano que pode ser expressa. Mas, a interioridade só pode ser expressa com exteriorizações. Então, volto mais um pouco, no tempo e para dentro: é consenso que o que mais satisfaz o indivíduo na escolha da profissão é o que esta de acordo com os anseios de seu temperamento, em seu ego, seu self e outros aspectos psicológicos interessantes. A escolha baseada quase que puramente no retorno financeiro, nem vou comentar muito. Eu acho que só seria justificável se alguém escolhesse a profissão com base em querer dar o melhor tipo de vida para a FAMÍLIA.
Considerando-se os aspectos mais subjetivos, a sociedade (ou o aspecto mais infernal dos outros, como poderiam dizer os existencialistas) parece avaliar que, no que tange ao individuo a persona dos outros é algo estático. Exemplo: quando mais nova, eu era tremendamente envergonhada, tímida, e com uma tendência perigosa a reprimir os sentimentos. Na escola gostava muito de agradar os professores, e me aproximava de alguém estritamente quando convidada. Não era CDF, e sim concentrava uns 98% das minhas forças nos conteúdos escolares. Lidar com a multidão não me deixava nervosa, e sim MORTIFICADA. Bom, para não acharem que era uma situação ruim: desde cedo me deliciei com a literatura, era extremamente dócil, e bem puritana.
Pergunta: Como uma criatura dessas, no caso eu, está fazendo Comunicação Social? Principalmente por dois motivos. Primeiro, por natureza, me importam muito coisas como o motivo de eu estar aqui neste mundo louco, e como o que eu faço pode interferir na sociedade positivamente. Segundo, a timidez, em certas facetas, está perdendo cada vez mais espaço na cultura. Ou seja, o tímido tradicional terá cada vez menos espaço em qualquer área. Terceiro, no fundo, gosto de causar polemica, he he he...
No decorrer de tudo isso, vou tropeçando na fluência das palavras como um bebezinho tropeça para andar, as evoluções são lentas, mas acredito nelas. Acredito principalmente porque sei que o medo não será eterno, que os outros só são inferno se eu quiser. E, a vaidade pode ser estar disfarçada de aparente excesso de humildade.
Texto inspirador....
CARTA AOS TÍMIDOS
Crônica de Luiz Fernando Veríssimo publicado na revista Época, 29/03/04
Tente se convencer de que você não é o alvo de todos os olhares e de todas as expectativas de vexame quando entra em qualquer recinto. No fundo, a timidez é uma forma extrema de vaidade, pois é a certeza de que, onde o tímido estiver, ele é o centro das atenções, o que torna quase inevitável que errará a cadeira e sentará no chão, ou no colo da anfitriã. Convença-se: o mundo não está só esperando para ver qual é a próxima que você vai aprontar. E mire-se no meu exemplo. Depois que aposentei a correntinha e (suspiro) perdi o topete, namorei, procriei, fiz amigos, vivi e hoje até faço palestras, ou coisas bem parecidas. Mesmo com o secreto e permanente desejo, é verdade, de estar quieto em casa.
Considerando-se os aspectos mais subjetivos, a sociedade (ou o aspecto mais infernal dos outros, como poderiam dizer os existencialistas) parece avaliar que, no que tange ao individuo a persona dos outros é algo estático. Exemplo: quando mais nova, eu era tremendamente envergonhada, tímida, e com uma tendência perigosa a reprimir os sentimentos. Na escola gostava muito de agradar os professores, e me aproximava de alguém estritamente quando convidada. Não era CDF, e sim concentrava uns 98% das minhas forças nos conteúdos escolares. Lidar com a multidão não me deixava nervosa, e sim MORTIFICADA. Bom, para não acharem que era uma situação ruim: desde cedo me deliciei com a literatura, era extremamente dócil, e bem puritana.
Pergunta: Como uma criatura dessas, no caso eu, está fazendo Comunicação Social? Principalmente por dois motivos. Primeiro, por natureza, me importam muito coisas como o motivo de eu estar aqui neste mundo louco, e como o que eu faço pode interferir na sociedade positivamente. Segundo, a timidez, em certas facetas, está perdendo cada vez mais espaço na cultura. Ou seja, o tímido tradicional terá cada vez menos espaço em qualquer área. Terceiro, no fundo, gosto de causar polemica, he he he...
No decorrer de tudo isso, vou tropeçando na fluência das palavras como um bebezinho tropeça para andar, as evoluções são lentas, mas acredito nelas. Acredito principalmente porque sei que o medo não será eterno, que os outros só são inferno se eu quiser. E, a vaidade pode ser estar disfarçada de aparente excesso de humildade.
Texto inspirador....
CARTA AOS TÍMIDOS
Crônica de Luiz Fernando Veríssimo publicado na revista Época, 29/03/04
Tente se convencer de que você não é o alvo de todos os olhares e de todas as expectativas de vexame quando entra em qualquer recinto. No fundo, a timidez é uma forma extrema de vaidade, pois é a certeza de que, onde o tímido estiver, ele é o centro das atenções, o que torna quase inevitável que errará a cadeira e sentará no chão, ou no colo da anfitriã. Convença-se: o mundo não está só esperando para ver qual é a próxima que você vai aprontar. E mire-se no meu exemplo. Depois que aposentei a correntinha e (suspiro) perdi o topete, namorei, procriei, fiz amigos, vivi e hoje até faço palestras, ou coisas bem parecidas. Mesmo com o secreto e permanente desejo, é verdade, de estar quieto em casa.
quinta-feira, 19 de outubro de 2006
quinta-feira, 5 de outubro de 2006
Falta-me a imprudência dos amantes
Falta-me a imprudência dos amantes
Que em universos peculiares voam errantes
Que em momentos roubados ganham mais brilho
Na alma carregada de volúpia, calor e ascensão
Falta-me a imprudência de quem ama, que
Atingido por sublime chama
Não vê os percalços mesquinhos a espreitar
Nem lhe mortifica o perigo de tão intrincado labirinto
Como se o amor fosse o pólo magnético de todos os insanos
Falta-me a imprudência do desejo ardente
Da cumplicidade que, de repente
Se atinge com os desejos límpidos
(Poesia que brotou no início deste ano e só agora floresceu. Mas, será que dará frutos?).
Que em universos peculiares voam errantes
Que em momentos roubados ganham mais brilho
Na alma carregada de volúpia, calor e ascensão
Falta-me a imprudência de quem ama, que
Atingido por sublime chama
Não vê os percalços mesquinhos a espreitar
Nem lhe mortifica o perigo de tão intrincado labirinto
Como se o amor fosse o pólo magnético de todos os insanos
Falta-me a imprudência do desejo ardente
Da cumplicidade que, de repente
Se atinge com os desejos límpidos
(Poesia que brotou no início deste ano e só agora floresceu. Mas, será que dará frutos?).
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