Mostrando postagens com marcador críticas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador críticas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Palavras Entorpecentes

Sirva-me mais uma dose de ironia
Certas palavras já são suficientemente tóxicas
Assim minha cabeça languidamente se esvazia
E a decadência já me cai bem

Ao pôr-do-Sol, meu riso insano me detém
Envenenemo-nos pois
Com nossas intimidadades pérfidas
E teu humor fugaz
Com minha mente deteriorada
E nossa ausência de paz

*Inspirada em outros humores

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O frágil chão em que piso.



A Verdade! Contemplá-la como amiga é motivo para um sorriso, apesar de ela estar muito além do nosso conhecimento. Trata-se de uma busca: é como engatinharmos cegos por um caminho estreito e firme, enquanto o resto é pântano. Você sente que analisar as coisas a sua volta buscando pela essência delas é uma forma de colher bons frutos no futuro. As mentiras criam ilhas, as verdades (que são as raízes da árvore da Verdade) criam pontes.

E quando as pessoas que você ama têm ilusões e preconceitos que não querem largar? E se sufocam os outros por isso?

Sempre há mais pessoas envolvidas. Nem que sejam fantasmas: as lembranças que assombram. E você entende os todos os lados o suficiente para não se sentir uma pessoas eternamente perseguida pelo mundo. Mas, ao tentarmos agir, devemos levar em conta como tudo (ou o conjunto das pessoas envolvidas) se JUSTIfica. Se o problema é muito grande, quem tem uma visão panorâmica o suficiente para não deixar escapar nenhum detalhe, para não errar feio em nenhuma projeção? Eu estou muito longe disso, longe o suficiente de poder enxergar e sentir quando piso num mar de lama, numa areia movediça. Só no momento em que a coisa começa a alcançar o meu pescoço eu acordo. Sem saber o que fazer.

domingo, 30 de março de 2008

Sobre o porquê eu não gosto de 'coisinhas meigas'.

O fluxo da mudança me corrói. O fluxo que tende sempre ao fim. A busca incessante por algo que eu não sei o que é. Talvez um amigo-amor-paixão. Esse é ponto de vista de onde falo.

De que adianta reclamar contra a banalização? Nos entusiasmamos, choramos. Alguns até cerr
am os punhos e acham que vão mudar o mundo. E nem sequer mudam a si.

Banalizamos os sentimentos definições, as palavras, as atitudes. Anestesiamo-nos. E temos uma terrível tendência a seguir padrões. Abomino tal massificação, mas às vezes não tenho força para nadar contra a correnteza.

Palavras são sintomáticas. Quanto mais específicas e variadas, maior a possibilidade de nos fazermos entender. Quanto mais ampliado é o seu sentido, mais perigos se escondem.

O caso mais clássico?

(Dou só uma chance!)

.
.
.

Amor.

O comércio absorveu o amor. Há uma absoluta indefinição entre intenções e ações. Amor virou conforto.

A conveniência absorveu o amor. Beijo e abraço viraram obrigações sociais. O sorriso virou armadura. Amor virou medo.

O imediatismo absorveu o amor. Trocamos o amor-mito pelo amor-em-cada-esquina. Amor virou entorpecente.

Os gregos

A auto-ajuda é questionável em muitos pontos. Mas creio que há livros que se salvam da pieguice. Li "O Monge e o Executivo", que trata da essência da liderança. O estilo de texto é regular, porém muitos conteúdos valem ser aprendidos ou relembrados.

Uma das felizes colocações é sobre as definições gregas que definem a tal palavra tão banalizada.

O fundo é religioso, mas o alcance é universal.

“O professor de línguas me explicou que muito do Novo Testamento foi originalmente escrito em grego, e os gregos usavam várias palavras diferentes para descrever o multifacetado fenômeno do amor. Se bem me lembro, uma dessas palavras era eros, da qual se deriva a palavra erótico, e significa sentimentos baseados em atração sexual e desejo ardente. Outra palavra grega para amor, storgé, é afeição, especialmente com a família e entre os seus membros. Nem eros nem storgé aparecem nas escrituras do Novo Testamento. Outra palavra grega para amor era philos, ou fraternidade, amor recíproco. Uma espécie de amor condicional, do tipo "você me faz o bem e eu faço o bem a você" Finalmente, os gregos usavam o substantivo ágape e o verbo correspondente agapaó para descrever um amor incondicional, baseado no comportamento com os outros, sem exigir nada em troca. E o amor da escolha deliberada. Quando Jesus fala de amor no Novo Testamento, usa a palavra ágape, um amor traduzido pelo comportamento e pela escolha, não o sentimento do amor.” (O Monge e O Executivo, Pg. 52, 53).

Eros,
Storgé,
Philos,
Ágape.

Não mencionado: epithymia. É o desejo sexual propriamente dito, enquanto eros é o ato de enamorar-se.

Cada um desses "amores" merece livros inteiros. Mas, irei me deter ao ágape.

A escolha correta e justa. Sem passividade, sem ingenuidade. Com profundidade. A capacidade de saber controlar os sentimentos ruins e vencê-los.

Ágape é atitude. Parte da convicção que "O ser humano se torna eu pela relação com o você. À medida que me torno eu, digo você. Todo viver real é encontro" (Martin Buber).

Palavras são sintomáticas. Precisamos de palavras cítricas. Palavras amargas. Gostos exóticos. Precisamos de odores. De choques de realidades.

È por isso que eu gosto de poemas de amor que não mencionem ou quase não mencionem a tal palavrinha.

No fundo eu sou uma subversiva.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Cinema Paradiso

Anotei algumas frases que marcaram um dos melhores filmes que eu já assisti. Coloquei-as aqui com o intuito de mantê-las vivas na minha memória. E também para provocar a curiosidade de quem ainda não assistiu à história da linda amizade entre Alfredo e Salvattore, o Totó.


“Escolho amigos pelo aspecto e inimigos pela inteligência. E você é inteligente demais para ser meu amigo”.

“Agora que perdi a visão, enxergo mais. Vejo o que não via antes, graças a você, que me salvou a vida. Não esquecerei disso”.

“O homem que pesa mais, pisa mais fundo e, se ama, sofre, pois sabe que está num beco sem saída. [...] Não sou eu que digo. Foi John Wayne em ‘Rastros de Ódio’”.

“Cedo ou tarde chega a hora em que falar ou calar são a mesma coisa. Então é melhor ficar quieto”.

“Todos temos uma estrela para seguir. Vá embora. Esta terra é má. Quando você está sempre aqui, sente-se no centro do mundo. Parece que nada muda, nunca. Aí você fica fora, um ano, dois, e ao voltar, mudou tudo. Algo se quebrou. Você não acha a quem procura. Tuas coisas não existem mais. È preciso ir embora por muito tempo, por muitíssimos anos, para encontrar, na volta, a tua gente, a terra onde nasceu. Agora não é possível. Você está mais cego do que eu”.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

O inferno são os outros?

Aviso aos navegantes:Post desabafo. Mais um. Já começo concluindo... Agora vamos ao início: o que me motivou a escrever isto: encantam-me varias coisas no universo da linguagem, que vão desde o pensamento lógico e reflexivo até as emoções humanas, desde as mais sublimes até as barbaridades que se pode cometer quando a razão já está fraca. Ou seja, toda interioridade do ser humano que pode ser expressa. Mas, a interioridade só pode ser expressa com exteriorizações. Então, volto mais um pouco, no tempo e para dentro: é consenso que o que mais satisfaz o indivíduo na escolha da profissão é o que esta de acordo com os anseios de seu temperamento, em seu ego, seu self e outros aspectos psicológicos interessantes. A escolha baseada quase que puramente no retorno financeiro, nem vou comentar muito. Eu acho que só seria justificável se alguém escolhesse a profissão com base em querer dar o melhor tipo de vida para a FAMÍLIA.
Considerando-se os aspectos mais subjetivos, a sociedade (ou o aspecto mais infernal dos outros, como poderiam dizer os existencialistas) parece avaliar que, no que tange ao individuo a persona dos outros é algo estático. Exemplo: quando mais nova, eu era tremendamente envergonhada, tímida, e com uma tendência perigosa a reprimir os sentimentos. Na escola gostava muito de agradar os professores, e me aproximava de alguém estritamente quando convidada. Não era CDF, e sim concentrava uns 98% das minhas forças nos conteúdos escolares. Lidar com a multidão não me deixava nervosa, e sim MORTIFICADA. Bom, para não acharem que era uma situação ruim: desde cedo me deliciei com a literatura, era extremamente dócil, e bem puritana.
Pergunta: Como uma criatura dessas, no caso eu, está fazendo Comunicação Social? Principalmente por dois motivos. Primeiro, por natureza, me importam muito coisas como o motivo de eu estar aqui neste mundo louco, e como o que eu faço pode interferir na sociedade positivamente. Segundo, a timidez, em certas facetas, está perdendo cada vez mais espaço na cultura. Ou seja, o tímido tradicional terá cada vez menos espaço em qualquer área. Terceiro, no fundo, gosto de causar polemica, he he he...
No decorrer de tudo isso, vou tropeçando na fluência das palavras como um bebezinho tropeça para andar, as evoluções são lentas, mas acredito nelas. Acredito principalmente porque sei que o medo não será eterno, que os outros só são inferno se eu quiser. E, a vaidade pode ser estar disfarçada de aparente excesso de humildade.

Texto inspirador....
CARTA AOS TÍMIDOS
Crônica de Luiz Fernando Veríssimo publicado na revista Época, 29/03/04
Tente se convencer de que você não é o alvo de todos os olhares e de todas as expectativas de vexame quando entra em qualquer recinto. No fundo, a timidez é uma forma extrema de vaidade, pois é a certeza de que, onde o tímido estiver, ele é o centro das atenções, o que torna quase inevitável que errará a cadeira e sentará no chão, ou no colo da anfitriã. Convença-se: o mundo não está só esperando para ver qual é a próxima que você vai aprontar. E mire-se no meu exemplo. Depois que aposentei a correntinha e (suspiro) perdi o topete, namorei, procriei, fiz amigos, vivi e hoje até faço palestras, ou coisas bem parecidas. Mesmo com o secreto e permanente desejo, é verdade, de estar quieto em casa.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

Aprendizagem política, quotidiana e diária

Mais uma campanha política e então, ficamos zonzos... Propagandas, propagandas, propagandas, propagandas, propagandas, propagandas,... ufa... propostas, e ainda assim nos perguntamos: será só retórica?
No meu caso, a paixão pelas ideologias veio muito cedo (ainda assim fico meio zonza...). Minhas bonecas tinham muitas estratégias revolucionarias, e olha que eu tinha algumas Barbie’s. Fui convicta eterna de muitos ideais que só existiam na minha cabeça, isso antes dos 13 anos.
Como veio rápido, foi rápido. Acalmou muito cedo “aquele” entusiasmo que eu tinha pela política, acho que foi junto com o fim da brincadeira de bonecas, ou com a decepção em relação a certos governos. Está certo que não morreu por inteiro: basta ouvir um daqueles alunos da História (nem que seja para ouvir ao longe ...capitalismo ...comunismo ...liberalismo); ainda sinto um certo efeito, mas nada comparável. Sei, sei, ... Quem ler isso deve pensar que é falta de noção mesmo... Desde o início...
O que ficou de tudo isso foi a vontade de colocar o ideal em prática. Acho que esse é um resumo razoável da boa política. Certas coisas são bem fáceis: colocar lixo no lixo, doar sangue, entrar no banco de doadores de medula óssea. Não aceitar mentiras e injustiças, nem de si, nem dos outros. Coisas que exigem uma vigilância árdua, e que são, na realidade, difíceis de serem sempre praticadas, pois nos momentos de fraqueza tendemos ao egoísmo. (Ao divagar mais sobre isso, tenho minhas dúvidas se os bons são bons porque preferem ouvir o anjinho ao diabinho, ou porque o diabinho é mudo nesses, o que não é o meu caso, mas estou sempre lutando contra ele, pois sei que se segui-lo, vou acabar me dando mal).
Outra noção desse lado político é que nunca haja um contentamento com as coisas realizadas parcialmente. No meio do caminho havia uma pedra/ Havia uma pedra no meio do caminho... Quantas vezes ficamos pelo meio do caminho porque não nos esforçamos para tirar a dita pedra que nos atravanca? Muitas vezes a falta de realização é vista como algo irremediável, torna-se então uma condição, e não um incentivo à mudança. Aliás, essa palavra, mudança, é tão alardeada, não só na política! Todos parecem querer mudança, mas ninguém parece lembrar que a transformação quase que obrigatoriamente exige que certas coisas fiquem para trás. Ao pensar nisso, lembro do verso de uma música que ainda deve estar tocando nas rádios: “O que você está disposto a perder quando tal paz vier?”. A paz referida é a verdadeira, e não aquela que provoca os remorsos e os arrependimentos... Ah, aquelas vezes em que ficamos quietos, e a conseqüência foi sentida por muito tempo!... A paz que ocorrerá com a correta administração das desigualdades sociais, e não simplesmente ignorando que certos males como a violência e a corrupção devem ser sanados em seu cerne, e não somente com repreensão, ainda por cima parcial. Se isso não passasse despercebido para muita gente, quanta diferença...
A nossa suposta estabilidade, que, me parece, vale ouro em nossa cultura brasileira (não sei se é só aqui), faz as nossas reformas (política, trabalhista, econômica) serem retoques simples e mal-feitos de uma estrutura arcaica. Os partidos brigam desde tempos imemoriais para ver quem tem a razão e esqueceram a razão de estarem ali. Está certo, existem os insanos na política e os insanos não são os safados. Os primeiros destroem rápido, os últimos são parasitas. Escolha como quer morrer...???... Não, não é assim! Temos que acreditar no nosso próprio potencial de mudança, a não ser que gostemos da demência ou do parasitismo. Claro, na hora do desespero total, optamos pelos parasitas, desde que não sejam sanguessugas, nem seus ancestrais, pois, gente, o reino animal é tão diversificado. Quanto às doses intermediárias de loucura nos políticos, decida você.
Tudo bem, mas não adianta falar de uma situação ideal sem pensar nos meios para a boa política. Isso também é uma questão bem pessoal, e refiro-me somente as boas intenções.
Alguns escolhem caminhos mais a direita, outros escolhem caminhos mais a esquerda, e outros cortam caminho. Ao longo da história, houve várias tentativas de se traçar um caminho certo para a humanidade (teorias econômicas & políticas). O sucesso ou fracasso de qualquer um deles não foi absoluto, ou seja, a falha de um foi o motivo para o surgimento de outro. O problema da parte que perdura é alguns representantes parecem preferir suas doutrinas ao bem da sociedade, e as doutrinas acabaram ficando um tanto poeirentas e inanimadas. Além de caminhos sujos de sangue, literalmente, se formos falar de tempo. Uma saída para esse dilema é a elaboração de um pensamento novo baseado na velha idéia da justiça, pois se desistirmos de lutar por um ideal, a tendência é virarmos egoístas, fracos, arrogantes; nunca nos esquecendo que esse ideal é pelo bem comum. E o final da história, é você quem decide.

Estes vídeos são uma demonstração criativa de reflexões sobre o voto, quase independentemente dos candidatos: http://www.brasileirospocoto.com.br/video.htm
... recomendo o primeiro.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Transformar em flores

"Que você viva em tempos interessantes " - antiga praga chinesa

O cinema é uma arte que me assombra. Em um bom sentido, claro. Todos os efeitos, as tecnologias, e principalmente as entrelinhas da história, ajudada pela imagem. Uma comédia inteligente é bem vinda, mas tenho um respeito tremendo pelo drama humano na literatura e no cinema, diria, tenho um "amor amigo". Filmes que falam da superação, da vida que sobrevive em meio ao caos fezem-me um certo bem, após o susto inicial... Não incluo de maneira nenhuma os filmes piegas de Hollywood, (que tem seus filmes bons e ótimos)...A sétima arte, de certa forma, reflete a vida real, pelo menos o sentimento de alguns desses gênios... Mas, penso... Para isso, tem que haver uma espécie de caos: a situação que parece insustentável. O filme argentino Kamchatka reflete bem essa beleza triste: o menino que, na ditadura argentina, consegue ter sua inocência preservada. Quantos pais argentinos não lutaram pela inocência de seus filhos? Uma atitude lindíssima para uma situação terrível. Quem ganha são os que conhecem o verdadeiro significado desses exemplos humanos.
Acho que muita gente assistiu a reportagem do Fantástico sobre as crianças brasileiras que morreram no Líbano. A maioria chorou, inclusive eu. A maneira de apresentar esse drama foi bela...
E, ai é que vem a angústia!! Pra quê? Esperança? Mudança de atitude?Quando uma sociedade é aparentemente (friso meu) muito calma, a primeira crítica é: são alienados. As produções culturais geralmente são menores... Uma literatura sensacional sem o famoso conflito será possível no ano 3015?Essa beleza e o bom humor são os recursos que nos mantem vivos. Mas, sempre tem uma pitadinha ao menos, do tal caos. Como jornalista, quero ver "o tempo interessante" que me ronda, mas não desejo que ele fique mais "interessante".
Não é tristeza, é só filosofia de bar, de preferência com pastel e suco de morango...
Agora, por favor, vai ver uma boa comédia!!!!