sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Constelações
Aculturada pelas manhãs
Das burocracias neuronais
E introspecções astrais
Notívaga em espera
Por sorrisos na Lua cheia
E um suspiro à espreita
No escuro do quarto
É tudo feito de estrelas
Longínquo e brilhante
E o silêncio
Não me adormece
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Insaciável
Vontade de olhar no espelho e ver outra imagem. De olhar no espelho e não ter medo que a velha imagem volte. Que os velhos medos sintam saudade, batam na porta e queiram voltar mais uma vez.
Vontade de que o rosto diga tudo que a alma quer gargalhar e até chorar. Que o corpo não volte a ser uma mera formalidade incômoda. E a mente não seja refúgio.
Vontade de hipnotizar sorrindo, mesmo que tudo desmorone como um castelo de cartas (afinal a sedução é um jogo no qual o segredo é descobrir quais são as regras).
Vontade de inflamar mentes, mesmo que seja projeção. De voar livre, mesmo que o céu seja eterna promessa. Vontade de abrir o peito até para tomar tapas da vida.
Vontade de fitar outros olhos com tranquilidade, da fala sair despreocupada e sonora, dos pés voltarem a inventar o próprio chão.
sábado, 5 de novembro de 2011
Cigana Budista
De cigana budista
De respirar o deleite
Sem o peso da posse
Numa idiossincrasia selvagem
Vagueio em desertos escaldantes
Assombrada por rostos encantados
Desassossegos santos
E o meu suspiro é encontro
Com os sorissos desinteressados
E as inquietudes das mentes consumidas
Por procuras insanas
Caravanas de vida
Pra dividir as lágrimas
E acompanhar as danças
terça-feira, 13 de setembro de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
Substantivos Abstratos
domingo, 24 de julho de 2011
Um tom mais brilhante
Pérola descobriu tarde que fora feita para a noite. Não gostava de se entorpecer com a bebida, muito menos de fumar. Mas as companhias boêmias faziam-lhe todo o sentido. As tardes claras e mornas pareciam irreais depois de conversas noturnas intensas. Desenvolvera uma espécie de receio à luz do Sol. Ao mesmo tempo que a fumaça do cigarro dos amigos irritava-lhe a garganta, trazia as lembranças mais interessantes que havia tido até então. O cheiro do tabaco era uma espécie de provocação: no início, um exercício de paciência, depois de sublimação do olfato. Seu espírito poético acabou interpretando o odor que permanecia em seus cabelos após as noites como um sinal de que o êxtase era real, e não um sonho, porque imperfeito. E ela fugia das perfeições desde que descobrira-se protegida da vida por aqueles que mais amava: os avós que a criaram. Vivia sendo constantemente preservada, realizando seus estudos e orações com assiduidade, passeando à tarde nas praças e assistindo a filmes de romance. A fizeram acreditar que havia um momento certo pra tudo. Os avós, percebendo que era introvertida, certa vez falaram com um rapaz tímido, amigo da família, para namorá-la. Antes mesmo do menino se apresentar ela ouviu, meio sem querer, a conversa dos avós atrás da porta e se desagradou. Alguma coisa naquilo a frustrou, mas não sabia o que. Ela falou alto com os avós, pedindo para não fazerem aquilo. Os avós ficaram tristes. No dia seguinte Pérola fez macarrão no almoço e não se falou mais no assunto. Os sorrisos voltaram ao seu fluxo normal por um tempo.
Um tom mais leve
sábado, 16 de julho de 2011
Dialética da Vida
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Ao léu...
Entenda que aquela voz que me fazia querer tudo e ter medo de tudo aquietou. Agora me deixe desbravar o caminho de liberdade que encontrei de repente. Deixe que eu me fira e me cure. Fira-me e cure-me se eu permitir. Deixe-me viver meus êxtases e exautões aos pedaços. Quem sabe construo um mosaico colorido ao fim disso tudo.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Solidão Blasè
quarta-feira, 30 de março de 2011
O comunista debaixo da cama de Jair Bolsonaro
“- Se seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?
- Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja! Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados, e não viveram em um ambiente como lamentavelmente é o teu!”
*caso não saiba o contexto desse 'diálogo' entre Jair Bolsonaro e Preta Gil, clique aqui.
Não, o Excelentíssimo deputado Jair Bolsonaro não fez uma declaração racista. O problema desse aguerrido defensor da moral e dos bons costumes é ter um comunista debaixo da cama na qual dorme. Não é nenhuma insinuação contra a (santa) mulher do deputado. O problema é que a metáfora de Luís Fernando Veríssimo encaixa-se perfeitamente na situação, no que diz respeito ao comportamento desse perfeito exemplo da política brasileira. Além da reputação ilibada, esse herói possui uma perspicácia extraordinária contra intenções maliciosas e sedutoras!
“Tem sempre um comunista debaixo da cama”, diz o reacionário cidadão de bem do conto de Luís Fernando Veríssimo. E não é que o pavoroso vilão também povoa o pesadelo de Bolsonaro? Além de gostar muito de charutos e vestir verde, com o tempo, essa verdadeira entidade se sofisticou: personificou-se em uma cantora que apresenta programas sobre sexo em canal fechado, com o estrito fim de acabar com os valores da tradição, da ordem e da família. E se objetivo da malévola é, conforme sua perspicácia, insinuar uma sedução ao filho – casado - do Excelentíssimo, como ficar quieto? Ela precisa de uma lição! Vai ficar caladinha!
Precisamos, por fim, dar o devido valor ao homem que se proporia a ser executor de penas de morte até de graça, caso tal possibilidade fosse legalizada no Brasil; homem que tem como inspiração personalidades como Geisel, Médici e outras tantas figuras humanitárias.
E lembre sempre de olhar embaixo da cama antes de dormir e prestar atenção nas intenções maliciosas que povoam a mente de artistas libertinas. Nunca se sabe, nunca se sabe...
quinta-feira, 17 de março de 2011
Pas de Bourrée
Sabe o dia no qual tudo que você quer é dançar acompanhada? Nenhuma pirueta compensa. Nenhuma gargalhada provoca êxtase, nem a mais desesperada.
A mente ouve aquela melodia suave propositalmente temperada com testosterona. O peito tem que conter pequenas e doloridas explosões. Os passos da sua coreografia não fazem sentido. Cambaleia e cai. A Ausência é a única a aplaudir a tua performance.