segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Reminiscências – Parte 1

Eles se preparavam para viajar. Duas mulheres, uma menina e um menino. As crianças tinham pouco menos de cinco anos.
Estavam envoltos com a correria, as malas, o nervosismo. E as crianças, atrapalhando. Como naquele tempo a segurança ainda não estava caótica e eles estavam muito novos para se preocupar com qualquer coisa, os dois saíram sozinhos do segundo andar, um pouco antes das adultas da casa.
Quando estavam quase chegando ao térreo, ela olhou para os degraus que ainda faltavam. Foi tomada por um ímpeto de aventura, quem sabe movida pela vontade de realizar as proezas da She-Ra. Lembrem-se que para eles, aquela distância era umas três vezes a própria altura.
Ela desafiou o irmão a pular dois degraus de cada vez. Depois três. Ela parou por aí, com medo de se arrebentar. Ah! Mas vontade era tão forte, a imaginação consistente... Então, que ele realizasse o desejo dela, bastava provoca-lo, e nisso ela era eficiente...

- Duvido que você pule todos esses oito degraus!
- Mas é alto... – receou ele
- Está com medo! Duvido! Duvido!

E ele se preparou para o grande salto...
O coração (deles) batendo mais forte...

E ele foi...

... Dar com o nariz direto no chão! Ela ficou assustada. Não acreditava no que tinha se passado. Ele berrava de dor. Alguns segundos depois, chegaram as duas responsáveis. Tiraram-no do chão e o levaram de volta para o segundo andar, a fim de estancar o sangue. Ela nunca tinha visto tanto sangue sair do nariz de alguém. A mãe notou o que tinha se passado e lhe deu uma bronca muito branda. Ela teve certeza que excesso de entusiasmo poderia ser perigoso. Ele sentiu isso na própria carne.