terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Reflexões para o 21º ano

Eu não encontro as palavras certas

Elas escorrem por entre minhas mãos

Onde as esqueci?


Eu fugi das palavras fortes

As palavras que revelam

Quadros ocultos e frustrantes

Pois minhas mãos enfraqueceram


Paralisei-me perante os meus sonhos

Pensando que sou o que planejo

No escuro do quarto


Encontro a paz

Convidada a dormir um sono eterno

Desejosa de momentos infinitos

E percepções novas


Derrubei os altares

Que eu mesma ergui

Mas esqueci

Do grande Senhor Medo


Que as palavras escondidas

Não se tornem fantasmas


Que a culpa só se manifeste

Em doses homeopáticas


E que a felicidade esteja sempre

Acompanhada do ímpeto de ser feliz

domingo, 16 de setembro de 2007

Terra prometida

- As pessoas dessa cidade parecem ser menos preconceituosas que as das outras... – disse eu, num lampejo de infância.

- Será mesmo? – a resposta dela me fez acordar.

A sensação que tive ao visitar a terra onde nasci após um longo tempo fora é a de acordar de um sonho bom. O tempo imprime uma decadência familiar a tudo, e é por isso que podemos reviver as nossas lembranças ao olhar para um portão enferrujado ou para uma vida que se deteriora. Despedi-me. Percorri a rua na mais consoladora solidão, em busca de uma história que faz parte da minha.

Cheguei ao meu destino. Vim visitar a ausência que toma conta de uma casa em especial. Encontrei dois olhares que me pediam um pouco de atenção. Foi tudo tão estranho! O vazio parecia ser mais real do que aqueles dois seres que vi.

O olhar dela era Nostalgia. Sentia falta de outros tempos, de outros risos. Ora ela me perguntava sobre minha vida, ora chorava, ora ria. Poucas vezes me encarava. Como diria a canção, nada é mais triste neste mundo louco do que matear com a ausência de quem já se foi.

O olhar dele era Incógnita. Ás vezes ele pedia carinho. A insistência dele em me fitar perturbou-me. Será que ele queria saber o que estava acontecendo? Ou queria me confidenciar algo? Depois daquele olhar, há de se refletir sobre a sabedoria. A sabedoria dos cães.

Despeço-me pensando na terra prometida que só existe nas minhas lembranças. A terra que para uns é o Céu e para outros é inferno.

(*Esse texto estava martelando na minha cabeça... Só agora tive coragem de escrevê-lo...)

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Vícios ou virtudes

Não temas a chuva
Ela lavará a poeira
Que se forma sobre os teus ideais

Não temas o vento
Ele desfará as teias
Que as aranhas tecem na tua cabeça

Não temas a noite
Pois os morcegos
Não se alimentam das tuas misérias
Espirituais


* Comecei ter a inspiração para esse poema no dia 05/02/07, na fila do banco... È outro poema que ficou no meu arquivo...

Aqui não chove

Um lado se perde na essência
O outro na experiência
No fim
Sou a metade de nada

Eu sou muitas gotas dispersas
Muitos desejos submersos
Eu sou a poça da água em que tu pisou
Mas estou rasa
Porque aqui não chove
Estou preguiçosa
Porque aqui não choro
Estou em paz
Só porque deixei pra lá


* Um poema que estava meio perdido no arquivo

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Momento

Leve e superficial
Como uma pena flutuando
Num esgoto pluvial

Rodeada pelos cacos
Das palavras não ditas
E tentada por palavras malditas
Resisto ao sorriso fácil
E ao difícil também

Pergunto estafada
Quando posso ir além
Mas eu sei que a resposta
Não vêm

Ratazana psicodélica

Parte 1 – Acordo no meio da noite

Ratifico seres inóspitos. Mas pessoas desérticas me dão sede. Pensamentos de outros me invadem: são ausências sentidas por alguém que eu desconheço. A ratazana pára de perseguir o lixo, me olha nos olhos e pergunta por que me enquadro na categoria dos que sofrem pela história dos outros. Não me importo com tal questionamento, pois gosto de me afundar em palavras poéticas e isso carrega alguns pesos.

Parte 2 – As Conclusões

Tento, tento, tento,... Tonta, invadida pela vontade e não pela vitória, me indago se já quis realmente conseguir.
Passeio pelas ruas e observo a juventude que gesticula vitoriosa: hímem intacto! Mas seu olhar ébrio denuncia o medo de amar. Ratifico novamente. Sou mais uma imbecil na multidão de ogros que calçam sapato de bico fino. Vejo a ratazana na marquise de um prédio.

Parte 3 – O Início de Tudo

Estou esperando pelo ônibus que nunca virá. O mendigo conversa comigo enquanto o ônibus não chega. Sempre acho que falta pouco. O pobre bêbado é o único resto de lucidez que me sobrou.
Meia noite chega, eu a saúdo com um beijo, na testa. Espero pela resposta, limitada. O mendigo me convida para dormir em um pedaço de papelão. A marquise nos protegerá. E as náuseas que sinto me fazem vomitar flores. Logo virá alguém. A porta bate. Eu não atendo. Tenho medo.
Salve o poder da rosa cálida
A pútrida manhã que eu não vi
E o pôr-do-sol sem ressalvas

Hoje vou tentar outras coisas importantes
Sem querer acontece o que eu nunca quis

Juntei mil grãos de areia para contar o tempo
Uma junção de eternos absurdos inconstantes
E mitos derrubados

Lá vai ela
Circunstâncias emperram seus sorrisos
Pois enterrou algo no meio do caminho
E fingiu que chorava
Por que estava triste demais
Para ver a despedida do Sol

Fingia para si
Cheia de pudores
Mas a estrada estava vazia

Mil Homens em Um

Observei o seu tênis azul
Da mesma cor do meu juízo
Assim, agitado e impreciso

E os seus olhos sorridentes
Às vezes escondem na pupila
O que ninguém entende

E a sua boca atraente
E sua lembrança tão presente
Fazem-me concluir que
Você é a palavra certeira
A palavra-flecha
A palavra que me fere
E me alimenta

Você é o livro que eu quero folhar
Várias e várias vezes,
Entendendo aos pouquinhos

Você é livro precioso que eu tenho medo de rasgar
A fonte de sentimentos
Dos quais nunca beberei
Mas sou feliz por
Já conhecer as tuas palavras


(*Ás vezes o amor que uma pessoa sente por outra pode ser grande demais para ela mesma... isso não é melodrama...)

sábado, 24 de março de 2007

Decapitação

Descubro as minhas ranhuras, entre brisas e vozes...
É o meu choro pelos sujos, pelos perdidos

E ainda acreditavas na tua própria inocência?
Investigas o juiz, o advogado e o réu
Pois são maltrapilhos mendigos bem-vestidos

Com a alma encouraçada

Não cogitas que
A verdade pode estar bem ao teu lado,
Dignamente mórbida e gentil?
Mas, tu insistes em descobrir
Uma mentira que cure as tuas feridas...
Isso não salvará o teu cerebelo
De ser rejeitado
Pelos vira-latas esfomeados e imundos


*Uma pequena experimentação NO além... huhahaha...

sexta-feira, 23 de março de 2007

Quarto escuro

Lá vai ela a dançar
No escuro, levita

A menina que evita
Sonhos bobos

Quer se esconder atrás
De palavras
Mas tem a cabeça povoada
De fantasias dançantes

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Banquete dos hipócritas

Primeiro ato: o convite para a festa

Celebrem, todos os momentos
Em que viram o sorriso do meu rosto sumir

Celebrem a soberba, brindem
Ao orgulho travestido de humildade

Celebrem a mediocridade
Enquanto suas carnes apodrecem

Celebrem as próprias mágoas
Como se grandes vitórias fossem

Segundo ato: o banquete

Sentem-se, bebam o cálice
Cheio do meu sangue de criança tola
Celebrem o ápice
Da alegria
De seu sorriso maldoso

Fartem-se com a carne alheia,
Que sobrou na sola de seus pés pontiagudos,
Após um dia sendo justiceiros imundos

Terceiro ato: o fim da festa

De celebrar o que virá, não esqueçam:
A cova já se forma diante de vocês

Mas houve Vida em suas almas? Não!
Esse, pois, é o triunfo do divino

É o que me faz acreditar no Bem,
Na bondade humana e no olhar sem
Falsidades ou hipocrisias

É o que me faz não desistir da poesia,
Do olhar que é singelo e ardente
Do olhar pedinte
Não só de pão,
Mas de palavras
Que alentem a solidão

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Espelho partido

São milhares de reflexos
Incompletos
Mas você se engana, se pensa que me vejo
Essas histórias não são minhas
Ou são?

Ela fez juízos
E você foi para o inferno
Porque quis

Ele cala quando pode dizer
Fala quando pode calar
E já ignora a sabedoria por completo

Há também fantasmas
Os que já viveram
Os que não nasceram
E os que escolheram
Simplesmente existir

O punho fechado
O coração escancarado
O ódio sem razão

Sentada, frustrada,
Assisto à vida

* Poesia fruto de um desabafo
fruto de um fim de ano conturbado
fruto de muita mágoa (não necessariamente minha)
fruto da mediocridade que existe no ser humano.
Que árvore podre!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Uma pergunta

Penso, penso, penso...
E em tantos devaneios, caio sempre na mesma pergunta:
Como se fazer necessário ao outro
Respeitando-o?