segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Barricadas

Eu não desabo mais por qualquer cisma
Esculpi em mim finas barricadas
Trançadas de roseiras negras
Por essas tramas só passam
O que o mundo acha torto
Mas tem verdade e riso

Não é no clichê que minha alma se encanta
Eu quero a beleza do olhar que brilha
Depois de ter se partido em pedaços
Eu quero a hesitação mais humana
Sentida num quarto solitário e ansioso
Eu quero a lágrima guardada
E até piada sem graça

As euforias mais insanas
Doces confidências
Os percalços deixam
Tudo mais interessante

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Intervalo no caos

As nossas armaduras se parecem
Duas almas que pesam em desilusões
Mas mesmo depois que a noite cesse
Nossos encontros epiléticos
Garantem sorrisos fortuitos
Baixamos um pouco a guarda
De todo esse caos
E eu tenho um intervalo de paz
Em meio a esse universo fugaz

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Melancolia

O corpo enverga ante à solidão
Fragmentos de sorrisos se esvaem
Enquanto há vida e pulsar
Tão longe!

Não há caminhos de pedra
Que apontem para estradas azuis

Uma vida cheia de traçados pontiagudos
E desenhos insólitos
Cheios de detalhes microscópicos
Que complexificam tudo
Nada é suficientemente
Interessante
Para aplacar
Um paladar
Tão complicado

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Das poesias esquecidas nos lábios de alguém

(Foto: Autor Desconhecido)
As noites daquela estranha mulher não eram mais tecidas por lamúrias infindáveis. A solidão definia com mais clareza o belo do que tem nuances superficiais e ocas. Tolice evitar sentir saudades! Tentar anestesiá-la com futilidades que nada preenchem é digno de escracho.
Quando a gente está em movimento é que as dores diminuem! E a memória se encarrega de colorir só a beleza, se você quiser. A vida é eterna ilusão de simetria.
Bicho arisco, percebeu aos poucos que não havia sido talhada pra esse mundo da sedução. Ainda assim, ela queria a poesia compartilhada entre os corpos. Deitar ao lado de quem se confia qualquer toque, sentindo-se em um intervalo no caos da vida. As pernas entrelaçadas e os sorrisos furtivos. Sem jogos, nem tiranias.
Ela queria reviver as poesias esquecidas nos lábios de alguém (que sabiamente disse-lhe haver dado muito pouco), nem que fosse com outro rosto. Novas migalhas, tão deliciosas quanto as primeiras.
Era melhor descrer nos transbordamentos dos toques e abraços. Não queria que seus tesouros parecessem misérias tolas.

(12 de Fevereiro de 2013 e 27 de Maio de 2013)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Restos

O viajante frui ilusões
E, como pobre poeta que é, em vão diz
Há beleza aqui como há por todo o lugar
Mas eu grito vazios rudes em sonhos
E, por hora, só tenho esperanças trôpegas