De que adianta reclamar contra a banalização? Nos entusiasmamos, choramos. Alguns até cerram os punhos e acham que vão mudar o mundo. E nem sequer mudam a si.
Banalizamos os sentimentos definições, as palavras, as atitudes. Anestesiamo-nos. E temos uma terrível tendência a seguir padrões. Abomino tal massificação, mas às vezes não tenho força para nadar contra a correnteza.
Palavras são sintomáticas. Quanto mais específicas e variadas, maior a possibilidade de nos fazermos entender. Quanto mais ampliado é o seu sentido, mais perigos se escondem.
O caso mais clássico?
(Dou só uma chance!)
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Amor.
O comércio absorveu o amor. Há uma absoluta indefinição entre intenções e ações. Amor virou conforto.
A conveniência absorveu o amor. Beijo e abraço viraram obrigações sociais. O sorriso virou armadura. Amor virou medo.
O imediatismo absorveu o amor. Trocamos o amor-mito pelo amor-em-cada-esquina. Amor virou entorpecente.
Os gregos
A auto-ajuda é questionável em muitos pontos. Mas creio que há livros que se salvam da pieguice. Li "O Monge e o Executivo", que trata da essência da liderança. O estilo de texto é regular, porém muitos conteúdos valem ser aprendidos ou relembrados.
Uma das felizes colocações é sobre as definições gregas que definem a tal palavra tão banalizada.
O fundo é religioso, mas o alcance é universal.
“O professor de línguas me explicou que muito do Novo Testamento foi originalmente escrito em grego, e os gregos usavam várias palavras diferentes para descrever o multifacetado fenômeno do amor. Se bem me lembro, uma dessas palavras era eros, da qual se deriva a palavra erótico, e significa sentimentos baseados em atração sexual e desejo ardente. Outra palavra grega para amor, storgé, é afeição, especialmente com a família e entre os seus membros. Nem eros nem storgé aparecem nas escrituras do Novo Testamento. Outra palavra grega para amor era philos, ou fraternidade, amor recíproco. Uma espécie de amor condicional, do tipo "você me faz o bem e eu faço o bem a você" Finalmente, os gregos usavam o substantivo ágape e o verbo correspondente agapaó para descrever um amor incondicional, baseado no comportamento com os outros, sem exigir nada em troca. E o amor da escolha deliberada. Quando Jesus fala de amor no Novo Testamento, usa a palavra ágape, um amor traduzido pelo comportamento e pela escolha, não o sentimento do amor.” (O Monge e O Executivo, Pg. 52, 53).
Eros,
Storgé,
Philos,
Ágape.
Não mencionado: epithymia. É o desejo sexual propriamente dito, enquanto eros é o ato de enamorar-se.
Cada um desses "amores" merece livros inteiros. Mas, irei me deter ao ágape.
A escolha correta e justa. Sem passividade, sem ingenuidade. Com profundidade. A capacidade de saber controlar os sentimentos ruins e vencê-los.
Ágape é atitude. Parte da convicção que "O ser humano se torna eu pela relação com o você. À medida que me torno eu, digo você. Todo viver real é encontro" (Martin Buber).
Palavras são sintomáticas. Precisamos de palavras cítricas. Palavras amargas. Gostos exóticos. Precisamos de odores. De choques de realidades.
È por isso que eu gosto de poemas de amor que não mencionem ou quase não mencionem a tal palavrinha.
No fundo eu sou uma subversiva.
Eros,
Storgé,
Philos,
Ágape.
Não mencionado: epithymia. É o desejo sexual propriamente dito, enquanto eros é o ato de enamorar-se.
Cada um desses "amores" merece livros inteiros. Mas, irei me deter ao ágape.
A escolha correta e justa. Sem passividade, sem ingenuidade. Com profundidade. A capacidade de saber controlar os sentimentos ruins e vencê-los.
Ágape é atitude. Parte da convicção que "O ser humano se torna eu pela relação com o você. À medida que me torno eu, digo você. Todo viver real é encontro" (Martin Buber).
Palavras são sintomáticas. Precisamos de palavras cítricas. Palavras amargas. Gostos exóticos. Precisamos de odores. De choques de realidades.
È por isso que eu gosto de poemas de amor que não mencionem ou quase não mencionem a tal palavrinha.
No fundo eu sou uma subversiva.