- As pessoas dessa cidade parecem ser menos preconceituosas que as das outras... – disse eu, num lampejo de infância.
- Será mesmo? – a resposta dela me fez acordar.
A sensação que tive ao visitar a terra onde nasci após um longo tempo fora é a de acordar de um sonho bom. O tempo imprime uma decadência familiar a tudo, e é por isso que podemos reviver as nossas lembranças ao olhar para um portão enferrujado ou para uma vida que se deteriora. Despedi-me. Percorri a rua na mais consoladora solidão, em busca de uma história que faz parte da minha.
Cheguei ao meu destino. Vim visitar a ausência que toma conta de uma casa em especial. Encontrei dois olhares que me pediam um pouco de atenção. Foi tudo tão estranho! O vazio parecia ser mais real do que aqueles dois seres que vi.
O olhar dela era Nostalgia. Sentia falta de outros tempos, de outros risos. Ora ela me perguntava sobre minha vida, ora chorava, ora ria. Poucas vezes me encarava. Como diria a canção, nada é mais triste neste mundo louco do que matear com a ausência de quem já se foi.
O olhar dele era Incógnita. Ás vezes ele pedia carinho. A insistência dele em me fitar perturbou-me. Será que ele queria saber o que estava acontecendo? Ou queria me confidenciar algo? Depois daquele olhar, há de se refletir sobre a sabedoria. A sabedoria dos cães.
Despeço-me pensando na terra prometida que só existe nas minhas lembranças. A terra que para uns é o Céu e para outros é inferno.
(*Esse texto estava martelando na minha cabeça... Só agora tive coragem de escrevê-lo...)
domingo, 16 de setembro de 2007
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Vícios ou virtudes
Não temas a chuva
Ela lavará a poeira
Que se forma sobre os teus ideais
Não temas o vento
Ele desfará as teias
Que as aranhas tecem na tua cabeça
Não temas a noite
Pois os morcegos
Não se alimentam das tuas misérias
Espirituais
* Comecei ter a inspiração para esse poema no dia 05/02/07, na fila do banco... È outro poema que ficou no meu arquivo...
Ela lavará a poeira
Que se forma sobre os teus ideais
Não temas o vento
Ele desfará as teias
Que as aranhas tecem na tua cabeça
Não temas a noite
Pois os morcegos
Não se alimentam das tuas misérias
Espirituais
* Comecei ter a inspiração para esse poema no dia 05/02/07, na fila do banco... È outro poema que ficou no meu arquivo...
Aqui não chove
Um lado se perde na essência
O outro na experiência
No fim
Sou a metade de nada
Eu sou muitas gotas dispersas
Muitos desejos submersos
Eu sou a poça da água em que tu pisou
Mas estou rasa
Porque aqui não chove
Estou preguiçosa
Porque aqui não choro
Estou em paz
Só porque deixei pra lá
* Um poema que estava meio perdido no arquivo
O outro na experiência
No fim
Sou a metade de nada
Eu sou muitas gotas dispersas
Muitos desejos submersos
Eu sou a poça da água em que tu pisou
Mas estou rasa
Porque aqui não chove
Estou preguiçosa
Porque aqui não choro
Estou em paz
Só porque deixei pra lá
* Um poema que estava meio perdido no arquivo
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