domingo, 16 de setembro de 2007

Terra prometida

- As pessoas dessa cidade parecem ser menos preconceituosas que as das outras... – disse eu, num lampejo de infância.

- Será mesmo? – a resposta dela me fez acordar.

A sensação que tive ao visitar a terra onde nasci após um longo tempo fora é a de acordar de um sonho bom. O tempo imprime uma decadência familiar a tudo, e é por isso que podemos reviver as nossas lembranças ao olhar para um portão enferrujado ou para uma vida que se deteriora. Despedi-me. Percorri a rua na mais consoladora solidão, em busca de uma história que faz parte da minha.

Cheguei ao meu destino. Vim visitar a ausência que toma conta de uma casa em especial. Encontrei dois olhares que me pediam um pouco de atenção. Foi tudo tão estranho! O vazio parecia ser mais real do que aqueles dois seres que vi.

O olhar dela era Nostalgia. Sentia falta de outros tempos, de outros risos. Ora ela me perguntava sobre minha vida, ora chorava, ora ria. Poucas vezes me encarava. Como diria a canção, nada é mais triste neste mundo louco do que matear com a ausência de quem já se foi.

O olhar dele era Incógnita. Ás vezes ele pedia carinho. A insistência dele em me fitar perturbou-me. Será que ele queria saber o que estava acontecendo? Ou queria me confidenciar algo? Depois daquele olhar, há de se refletir sobre a sabedoria. A sabedoria dos cães.

Despeço-me pensando na terra prometida que só existe nas minhas lembranças. A terra que para uns é o Céu e para outros é inferno.

(*Esse texto estava martelando na minha cabeça... Só agora tive coragem de escrevê-lo...)

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Vícios ou virtudes

Não temas a chuva
Ela lavará a poeira
Que se forma sobre os teus ideais

Não temas o vento
Ele desfará as teias
Que as aranhas tecem na tua cabeça

Não temas a noite
Pois os morcegos
Não se alimentam das tuas misérias
Espirituais


* Comecei ter a inspiração para esse poema no dia 05/02/07, na fila do banco... È outro poema que ficou no meu arquivo...

Aqui não chove

Um lado se perde na essência
O outro na experiência
No fim
Sou a metade de nada

Eu sou muitas gotas dispersas
Muitos desejos submersos
Eu sou a poça da água em que tu pisou
Mas estou rasa
Porque aqui não chove
Estou preguiçosa
Porque aqui não choro
Estou em paz
Só porque deixei pra lá


* Um poema que estava meio perdido no arquivo