segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Momento

Leve e superficial
Como uma pena flutuando
Num esgoto pluvial

Rodeada pelos cacos
Das palavras não ditas
E tentada por palavras malditas
Resisto ao sorriso fácil
E ao difícil também

Pergunto estafada
Quando posso ir além
Mas eu sei que a resposta
Não vêm

Ratazana psicodélica

Parte 1 – Acordo no meio da noite

Ratifico seres inóspitos. Mas pessoas desérticas me dão sede. Pensamentos de outros me invadem: são ausências sentidas por alguém que eu desconheço. A ratazana pára de perseguir o lixo, me olha nos olhos e pergunta por que me enquadro na categoria dos que sofrem pela história dos outros. Não me importo com tal questionamento, pois gosto de me afundar em palavras poéticas e isso carrega alguns pesos.

Parte 2 – As Conclusões

Tento, tento, tento,... Tonta, invadida pela vontade e não pela vitória, me indago se já quis realmente conseguir.
Passeio pelas ruas e observo a juventude que gesticula vitoriosa: hímem intacto! Mas seu olhar ébrio denuncia o medo de amar. Ratifico novamente. Sou mais uma imbecil na multidão de ogros que calçam sapato de bico fino. Vejo a ratazana na marquise de um prédio.

Parte 3 – O Início de Tudo

Estou esperando pelo ônibus que nunca virá. O mendigo conversa comigo enquanto o ônibus não chega. Sempre acho que falta pouco. O pobre bêbado é o único resto de lucidez que me sobrou.
Meia noite chega, eu a saúdo com um beijo, na testa. Espero pela resposta, limitada. O mendigo me convida para dormir em um pedaço de papelão. A marquise nos protegerá. E as náuseas que sinto me fazem vomitar flores. Logo virá alguém. A porta bate. Eu não atendo. Tenho medo.
Salve o poder da rosa cálida
A pútrida manhã que eu não vi
E o pôr-do-sol sem ressalvas

Hoje vou tentar outras coisas importantes
Sem querer acontece o que eu nunca quis

Juntei mil grãos de areia para contar o tempo
Uma junção de eternos absurdos inconstantes
E mitos derrubados

Lá vai ela
Circunstâncias emperram seus sorrisos
Pois enterrou algo no meio do caminho
E fingiu que chorava
Por que estava triste demais
Para ver a despedida do Sol

Fingia para si
Cheia de pudores
Mas a estrada estava vazia

Mil Homens em Um

Observei o seu tênis azul
Da mesma cor do meu juízo
Assim, agitado e impreciso

E os seus olhos sorridentes
Às vezes escondem na pupila
O que ninguém entende

E a sua boca atraente
E sua lembrança tão presente
Fazem-me concluir que
Você é a palavra certeira
A palavra-flecha
A palavra que me fere
E me alimenta

Você é o livro que eu quero folhar
Várias e várias vezes,
Entendendo aos pouquinhos

Você é livro precioso que eu tenho medo de rasgar
A fonte de sentimentos
Dos quais nunca beberei
Mas sou feliz por
Já conhecer as tuas palavras


(*Ás vezes o amor que uma pessoa sente por outra pode ser grande demais para ela mesma... isso não é melodrama...)