Palavras Esculpidas
Poesias cruas feitas de pedras, exaustões e êxtases.
terça-feira, 18 de setembro de 2018
Pequenas tolices
Por isso até os muros da cidade choram
A gente quer que tudo caiba dentro de caixas
Por isso às vezes a vida se apequena
A gente quer
E esquece das impermanências
Pois até a mais sólida rocha
É só fluidez
Para a eternidade
Um filme sobre pântanos
Às vezes escorre pelo ralo
No final a busca, insípida
Precisa de um tempero
Estranho
No meu gosto
Os esgotos tem mensagens
De carinho
Quando eu me iludo
Num poço de orgulho
Rodeada de areia por todos os lados
Escorrem nas veias os relatos
De tempos longínquos
Segredos guardados
Antes de mim
E sem querer um querubim
Com olheiras de cansaço
Sussurou aos meus ouvidos
"Os sonhos mais temidos
São só espelhos da alma"
A travessia é larga
Enquanto você desbrava
Outros universos
Dimensões paralelas
De mundos paralisados
No passado editado
Essa sessão esgotada
Com poucos ingressos vendidos
Gênero de terror alternativo
Daquela beleza tão bizarra
Que no fundo eu adoro
Mas ... volta, por favor
Pro presente
Os créditos são todos teus
E até as pedras
Das tuas mágoas, são projetoras
Por isso, acaba, de uma vez
Essa sessão
E não reclama
Das minhas pegadas na floresta
Foi nesse chão
Tão movediço
Que aprendi
A realmente
Realmente
Realmente
Gostar de mim
Conselhos líquidos
O que o olhar denuncia
As palavras tão macias
E o pensamento errante
O que há nessa mente
Tão cheia de mágoa?
A quem agrada somente
Parecer límpida água?
Permita-se ser turva
Conheça suas curvas
Queime feito brasa!
Devagar tudo evapora
Mas não espera tanto assim
Um pouco de fé
Seja o sentimento de mistério ou a ciência
Seja a mandinga, a pimenta
Ou a história que inventas
Pra tua filha dormir tranquila
Feliz é aquele que segue a matilha
Mas o desgarrado é aprendiz dos sonhos
Não importa o que tenha nas entranhas
É o espírito rebelde que semeia
Muito além dos destinos insones
Muito além da alegria alheia
Eu creio na impermanência
Pois a palavra que dança na mente
Torna-se soluço da consciência
E na inquietude do silêncio
Tudo incendeia, e de repente
Rascunho meu universo tenso
Sou o caos vomitando estrelas
Sou um misterioso incenso
Pintado em uma pequena tela
Preciso arder beeeeem devagar
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
Tanto fogo
Acredite nos delírios daquele bêbado que cantava na esquina. Duvide um pouco do poder dos números. Deixe a lógica entrar em colapso. É uma questão de equilíbrio.
segunda-feira, 16 de maio de 2016
A demagogia e o pacifismo em tempos de febres políticas
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Enquanto formos o inferno uns dos outros
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Sobre o orgulho feminino e a necessidade de certos desconfortos
Eu cresci aprendendo que deveria contestar quando me sentisse injustiçada, que poderia gritar e sair correndo para defender-me de qualquer opressão. Principalmente dos sujeitinhos metidos a machões. Isso me salvou de traumas tenebrosos. Tentei exercitar, sempre que tinha consciência da situação, essa autodefesa. Tais mecanismos se naturalizaram em mim.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Barricadas
Esculpi em mim finas barricadas
Trançadas de roseiras negras
Por essas tramas só passam
O que o mundo acha torto
Mas tem verdade e riso
Não é no clichê que minha alma se encanta
Eu quero a beleza do olhar que brilha
Depois de ter se partido em pedaços
Eu quero a hesitação mais humana
Sentida num quarto solitário e ansioso
Eu quero a lágrima guardada
E até piada sem graça
As euforias mais insanas
Doces confidências
Os percalços deixam
Tudo mais interessante
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Intervalo no caos
Duas almas que pesam em desilusões
Mas mesmo depois que a noite cesse
Nossos encontros epiléticos
Garantem sorrisos fortuitos
Baixamos um pouco a guarda
De todo esse caos
E eu tenho um intervalo de paz
Em meio a esse universo fugaz
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Melancolia
Fragmentos de sorrisos se esvaem
Enquanto há vida e pulsar
Tão longe!
Não há caminhos de pedra
Que apontem para estradas azuis
Uma vida cheia de traçados pontiagudos
E desenhos insólitos
Cheios de detalhes microscópicos
Que complexificam tudo
Nada é suficientemente
Interessante
Para aplacar
Um paladar
Tão complicado
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Das poesias esquecidas nos lábios de alguém
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| (Foto: Autor Desconhecido) |
Quando a gente está em movimento é que as dores diminuem! E a memória se encarrega de colorir só a beleza, se você quiser. A vida é eterna ilusão de simetria.
Bicho arisco, percebeu aos poucos que não havia sido talhada pra esse mundo da sedução. Ainda assim, ela queria a poesia compartilhada entre os corpos. Deitar ao lado de quem se confia qualquer toque, sentindo-se em um intervalo no caos da vida. As pernas entrelaçadas e os sorrisos furtivos. Sem jogos, nem tiranias.
Ela queria reviver as poesias esquecidas nos lábios de alguém (que sabiamente disse-lhe haver dado muito pouco), nem que fosse com outro rosto. Novas migalhas, tão deliciosas quanto as primeiras.
Era melhor descrer nos transbordamentos dos toques e abraços. Não queria que seus tesouros parecessem misérias tolas.
(12 de Fevereiro de 2013 e 27 de Maio de 2013)
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Restos
E, como pobre poeta que é, em vão diz
Há beleza aqui como há por todo o lugar
Mas eu grito vazios rudes em sonhos
E, por hora, só tenho esperanças trôpegas
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Pequeno exercício de indefinição
domingo, 21 de outubro de 2012
Um tom de ironia
Era estranho ela não saber se tinha ido longe demais ou dado passos muito curtos. Se devia ter mudado mais ou ido com mais calma. A vertigem de uma vida sem nortes, como uma bússola louca que nunca para. Árida ironia que a poeira da estrada escondia nas entrelinhas.Era madrugada e ela estava em um hotel de uma cidade desconhecida. O dinheiro acabando. Longe de tudo e de todos. Ou será que não? Alguns dos pequenos mistérios que cercavam sua vida poderiam fazer com que tropeçasse em coisas familiares sem ao menos notar, ou talvez notar tarde demais.
Um vazio tomou conta dela ao olhar a estrada iluminada pelas luzes da madrugada. Uma estranha sensação que tornava os lamentos inúteis e os motivos pra ser feliz mais fáceis.
domingo, 30 de setembro de 2012
Latências
Que me engoliu
Num quarto claustrofóbico
De uma cidade asfixiante
E quem fui é um espectro
Conotação ilusória
De sorrisos fortuitos
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Um poema para os desencantos contra os quais ainda teimo
Das intropecções profundas
Sem querer o mundo passa ao largo
O desencanto é meu clichê
Purgatório particular
Frio e oco
E tento ficar a salvo
De sentimentos complexos
Abraços rasos e fortuitos
Mas sempre foi vã a busca
Para que o sorriso esqueça
Que a vida - na inércia -
Do sono sem sonhos
É só ilusão
Só que por hora ando leve
Como quem ainda se atreve
A sorrir assim de lado
Mas a alma é líquida
E as dúvidas
São pequenos pedregulhos
Esculpidos por correntezas
Através de caminhos tortos o tempo flui
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Rotas complicadas
domingo, 15 de julho de 2012
Labirinto
Se estivesse absurdamente apaixonada
Mas nesse percurso em corda bamba
É preciso estrangular os instintos
Porque, depois, como sair do labirinto?
domingo, 8 de julho de 2012
Deméter
Na ponta da minha língua
Um mundo de falas insossas e geladas
Paisagens pálidas
Conto de fadas bizarro e oco
Como se nunca tivesse provado da sombria romã
Explosão de cores
Com a qual tanto me deliciei
Insanamente feliz com minha insuficiência
Eu escolhi ser dúbia e oblíqua
Um jogo de sombras
Para escapar
Da tua proteção asfixiante
Gosto de medo
Inferno eterno
Deixas o mundo tão feio
Desejo brincar com o perigo
E eu só quero abrigo
Se for sem perguntas
Inventa-te contente para mim, sim?
domingo, 17 de junho de 2012
Das poesias por hora impossíveis
Na solidão noturna ela se permitia pensar no quanto achava cruel o mundo da sedução. Não queria muito. Nenhum tipo de salvação nos braços de alguém. Mas às vezes ela se perguntava se tudo não passava de um jogo de poder. E isso sempre a assustou. Mesmo que tivesse armas para ganhar (e não eram muitas), sabia que não iria querer usá-las, por medo de acabar gostando de pequenas tiranias. quarta-feira, 30 de maio de 2012
Confianças
Outro tipo de confiança é aquela que se estabelece (ou pode se estabelecer) com o processo de experiência de vida enquanto caminho de maturidade, como um compartilhamento entre duas pessoas. Podem ser objetivos, afetos, ideiais e pontos de vista. É uma confiança que se estabelece em um grau razoável de racionalizações e comunhão de sentimentos. Nem que seja um momento ocasional e passageiro. Geralmente, a confiança é baseada em uma certa previsibilidade, mas ela deve se deter a isso? Bom, volta e meia, ela escapa a essas estruturas: quebram-se as malditas expectativas. Isso pode ajudar a criar decepções, nervosismo, frustração, paranóia, desconfiança. E esse é o fruto de relações que sobrevivem no imediatismo, na falta de olhar de novo para a situação, de enxergar além da imagem e das primeras sensações.
E então, você resolve tentar uma confiança baseada na liberdade, na continua negociação, no ouvir constante, em não ter medo das transformações e rever continuamente os próprios conceitos sobre o mundo. Em saber que o ser humano está sempre em construção e do processo de crescimento restam incoerência, fraquezas, falhas. Em ter que lidar constantemente com coisas que teu olho não pode captar. No fato de que as pessoas podem tomar atitudes com as quais tu não concordas, e mesmo assim continuar compartilhando coisas muito bonitas contigo. Na percepção de que um afeto profundo aceita o outro como o mistério e a incompletude que ele é e que ele está; e se o outro quiser mudar pensando em nós, é algo que deve ser digerido pela consciência e pelo aprendizado dele e não pela nossa constante cobrança, expectativa ou intolerância. De qualquer modo há uma constante necessidade de saltos no escuro.
Sem nenhuma dessas confianças sendo praticada, as coisas não florescem. A vida é murcha e pesada. Quando essa confiança se desfaz, dói. E se a confiança madura não existe, melhor seria voltar a ser criança, apegar-se a algum deus bondoso e onipotente, ou então viver anestesiando a consciência até que o tempo se encarregue de tornar isso um automatismo. Para florescer, para fazer valer, é preciso ver beleza verdadeira nas coisas, e saber compartilhá-la, tanto quanto possível, com proximidade, brilho e calor.
sábado, 26 de maio de 2012
Estados antipoéticos
Dura e incômoda superfície
Restos espalhados de orgulho
Últimas energias
Gastas em ironias
São resistências
Pedaços partidos
De sapiência
Lembrança do medo
Que consome a leveza
Infla pequenas
E torpes penúrias
Esconde os sorrisos
E torna perigo
O que era pra ser
Um grande prazer
Um passado etéreo
Insiste em se manter
E nisso não há mistério
Permanece esse cheiro eterno
De tristeza
E julgamento
Por todo o ar
Vibra o caos
E mortificada
Por bizarro espetáculo
Sou mineral
Sem lágrima e sal
E, abaixo de muitas camadas
Suspiro exasperada
Sedenta daquela poesia
Da pura fruição dos sentidos
Ah, menina!
De peito aberto
Tudo que olhas
É tão mais terno
E toda implicância
Um vão inferno
Mas qualquer tortura dói mais
Inesperado adeus à paz
E o silêncio jaz
No indizível
Um triste vácuo
De sentidos
Inércia do simbólico
E dos meus sorrisos
sábado, 12 de maio de 2012
Impermanências
sábado, 7 de abril de 2012
Fome
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Breves inquietações sobre o que governa o mundo
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Desarmonia
Como se fosse uma borboleta claustrofóbica
Semeadora de tempestades
Caos silencioso
Tudo vazio e torto
A simetria do outro é sempre melhor
E não há um ombro para descansar
A alma se apaga
No fim, a poesia é só uma alucinação
Tropeça na pirueta
Sozinha na sala
Seus passos sem sincronia
Faz versos sobre a ausência
Abstraindo ruídos e lágrimas
E suspira, esperando pelo universo em harmonia
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Flaneurs
Povoados de sorrisos furtivos e ventos refrescantes
Nenhuma placa ou sinal nos limita
E nossos pés doloridos nos fazem livres
Pelo menos por esta noite
Tenho saudade dos passeios noturnos
Até de quando procurei desesperadamente
As palavras certas esquecidas no meio-fio das calçadas
Fica tudo mais simples quando o Sol não ilumina os corpos
Tudo vira harmonia quando a iluminação artificial
Capta o brilho dos olhares
Até as sombras tornarem tudo um mistério
Eu poderia viver para as noites sem teto
Até os mosquitos seriam sinfonia aos ouvidos
E mesmo umas poucas horas de sono
Já arrancariam um sorriso pela manhã
Digo-lhes, pois, que é antes do nascer do Sol
Que se esconde a arte de ficar contente
Com os contornos mais verdadeiros da vida
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Constelações
Aculturada pelas manhãs
Das burocracias neuronais
E introspecções astrais
Notívaga em espera
Por sorrisos na Lua cheia
E um suspiro à espreita
No escuro do quarto
É tudo feito de estrelas
Longínquo e brilhante
E o silêncio
Não me adormece
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Insaciável
Vontade de olhar no espelho e ver outra imagem. De olhar no espelho e não ter medo que a velha imagem volte. Que os velhos medos sintam saudade, batam na porta e queiram voltar mais uma vez.
Vontade de que o rosto diga tudo que a alma quer gargalhar e até chorar. Que o corpo não volte a ser uma mera formalidade incômoda. E a mente não seja refúgio.
Vontade de hipnotizar sorrindo, mesmo que tudo desmorone como um castelo de cartas (afinal a sedução é um jogo no qual o segredo é descobrir quais são as regras).
Vontade de inflamar mentes, mesmo que seja projeção. De voar livre, mesmo que o céu seja eterna promessa. Vontade de abrir o peito até para tomar tapas da vida.
Vontade de fitar outros olhos com tranquilidade, da fala sair despreocupada e sonora, dos pés voltarem a inventar o próprio chão.
sábado, 5 de novembro de 2011
Cigana Budista
De cigana budista
De respirar o deleite
Sem o peso da posse
Numa idiossincrasia selvagem
Vagueio em desertos escaldantes
Assombrada por rostos encantados
Desassossegos santos
E o meu suspiro é encontro
Com os sorissos desinteressados
E as inquietudes das mentes consumidas
Por procuras insanas
Caravanas de vida
Pra dividir as lágrimas
E acompanhar as danças
terça-feira, 13 de setembro de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
Substantivos Abstratos
domingo, 24 de julho de 2011
Um tom mais brilhante
Pérola descobriu tarde que fora feita para a noite. Não gostava de se entorpecer com a bebida, muito menos de fumar. Mas as companhias boêmias faziam-lhe todo o sentido. As tardes claras e mornas pareciam irreais depois de conversas noturnas intensas. Desenvolvera uma espécie de receio à luz do Sol. Ao mesmo tempo que a fumaça do cigarro dos amigos irritava-lhe a garganta, trazia as lembranças mais interessantes que havia tido até então. O cheiro do tabaco era uma espécie de provocação: no início, um exercício de paciência, depois de sublimação do olfato. Seu espírito poético acabou interpretando o odor que permanecia em seus cabelos após as noites como um sinal de que o êxtase era real, e não um sonho, porque imperfeito. E ela fugia das perfeições desde que descobrira-se protegida da vida por aqueles que mais amava: os avós que a criaram. Vivia sendo constantemente preservada, realizando seus estudos e orações com assiduidade, passeando à tarde nas praças e assistindo a filmes de romance. A fizeram acreditar que havia um momento certo pra tudo. Os avós, percebendo que era introvertida, certa vez falaram com um rapaz tímido, amigo da família, para namorá-la. Antes mesmo do menino se apresentar ela ouviu, meio sem querer, a conversa dos avós atrás da porta e se desagradou. Alguma coisa naquilo a frustrou, mas não sabia o que. Ela falou alto com os avós, pedindo para não fazerem aquilo. Os avós ficaram tristes. No dia seguinte Pérola fez macarrão no almoço e não se falou mais no assunto. Os sorrisos voltaram ao seu fluxo normal por um tempo.
Um tom mais leve
sábado, 16 de julho de 2011
Dialética da Vida
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Ao léu...
Entenda que aquela voz que me fazia querer tudo e ter medo de tudo aquietou. Agora me deixe desbravar o caminho de liberdade que encontrei de repente. Deixe que eu me fira e me cure. Fira-me e cure-me se eu permitir. Deixe-me viver meus êxtases e exautões aos pedaços. Quem sabe construo um mosaico colorido ao fim disso tudo.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Solidão Blasè
quarta-feira, 30 de março de 2011
O comunista debaixo da cama de Jair Bolsonaro
“- Se seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?
- Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja! Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados, e não viveram em um ambiente como lamentavelmente é o teu!”
*caso não saiba o contexto desse 'diálogo' entre Jair Bolsonaro e Preta Gil, clique aqui.
Não, o Excelentíssimo deputado Jair Bolsonaro não fez uma declaração racista. O problema desse aguerrido defensor da moral e dos bons costumes é ter um comunista debaixo da cama na qual dorme. Não é nenhuma insinuação contra a (santa) mulher do deputado. O problema é que a metáfora de Luís Fernando Veríssimo encaixa-se perfeitamente na situação, no que diz respeito ao comportamento desse perfeito exemplo da política brasileira. Além da reputação ilibada, esse herói possui uma perspicácia extraordinária contra intenções maliciosas e sedutoras!
“Tem sempre um comunista debaixo da cama”, diz o reacionário cidadão de bem do conto de Luís Fernando Veríssimo. E não é que o pavoroso vilão também povoa o pesadelo de Bolsonaro? Além de gostar muito de charutos e vestir verde, com o tempo, essa verdadeira entidade se sofisticou: personificou-se em uma cantora que apresenta programas sobre sexo em canal fechado, com o estrito fim de acabar com os valores da tradição, da ordem e da família. E se objetivo da malévola é, conforme sua perspicácia, insinuar uma sedução ao filho – casado - do Excelentíssimo, como ficar quieto? Ela precisa de uma lição! Vai ficar caladinha!
Precisamos, por fim, dar o devido valor ao homem que se proporia a ser executor de penas de morte até de graça, caso tal possibilidade fosse legalizada no Brasil; homem que tem como inspiração personalidades como Geisel, Médici e outras tantas figuras humanitárias.
E lembre sempre de olhar embaixo da cama antes de dormir e prestar atenção nas intenções maliciosas que povoam a mente de artistas libertinas. Nunca se sabe, nunca se sabe...
quinta-feira, 17 de março de 2011
Pas de Bourrée
Sabe o dia no qual tudo que você quer é dançar acompanhada? Nenhuma pirueta compensa. Nenhuma gargalhada provoca êxtase, nem a mais desesperada.
A mente ouve aquela melodia suave propositalmente temperada com testosterona. O peito tem que conter pequenas e doloridas explosões. Os passos da sua coreografia não fazem sentido. Cambaleia e cai. A Ausência é a única a aplaudir a tua performance.

