domingo, 17 de junho de 2012

Das poesias por hora impossíveis

Na solidão noturna ela se permitia pensar no quanto achava cruel o mundo da sedução. Não queria muito. Nenhum tipo de salvação nos braços de alguém. Mas às vezes ela se perguntava se tudo não passava de um jogo de poder. E isso sempre a assustou. Mesmo que tivesse armas para ganhar (e não eram muitas), sabia que não iria querer usá-las, por medo de acabar gostando de pequenas tiranias. 
Ela queria poesia sem poder. A poesia das pernas entrelaçadas por alguns momentos. Dos cheiros e dos sons. Dos belos acordes descobertos sem querer. Das coisas simples. De se inventar feliz, para poder criar uma nova pessoa dos cacos do passado. E se fosse insanidade da parte dela? Pretensão? Ilusão?
O pior de tudo era saber que não teria resposta: só ouvir o silêncio e o vazio de seus pensamentos.

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