sábado, 9 de setembro de 2006

Anátema

Quero distender o tempo
E quero um poema insano
Que busque o que há de melhor em ti
Tantas ruínas dos relógios opressores
Mesmo que não marquem horas
São quimeras imensas, capitalistas

Liberdade!
Ora, não é tão simples a liberdade!
Tantos preferem pôr um relógio no pulso
Muitos mais na alma
Não confiam na sabedoria do tempo

Quanto a mim,
Sou jovem
E não chego na hora
Desrespeito a cerimônia
Porque cansei, simplesmente cansei
Mas respeito o mestre, tenha certeza

Ensina-me o teu tempo
E estarei na estação de malas prontas
Antes do teu trem partir

(Um desabafo meio dadaísta)

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Gracioso e firme

Mortificam-me as tuas piruetas, oh bailarino!
Rodas pelo tempo, como quem o vencesse
Lembras-me um tempo em que eu vencia
mas, o que mesmo?
Teu rosto rude agora não é mais algo indiferente
Quero teus movimentos perfeitos
Quero tuas fibras musculares
Prepara-me um espetáculo
Não é só tu quem quer gritar!
E eu te retribuo com amor
Leva-me na tua dança tão sensata

Mas abandona o teu cigarro por que chamas, já bastam as minhas
Deixa-me insone, para ver teu corpo se movimentando livre
E não tenha pena do meu corpo que insiste em não sair do chão

Por mais que as palavras tentem te alcançar
Nos saltos intermináveis
Basta-me ver-te
E somente isso é suficiente

(Inspirado no filme O Sol da Meia-Noite)

Don Juan imaginário

Sob o fogo daqueles dias
Tu não falas nem pias
Aqueles dias de gloria
Tínhamos nas mãos a vitória

Homem malandro que chega
Mulher certinha que sai
E ela se aconchega
Certinha, não, não vai!

E a rua continua crua
Só para os desavisados
E a rua que foi platéia
Dos encontros mal-amados
Daquilo que é de mau agrado

A noite que acaba
Ele sai e desaba
Numa mesa qualquer
De algum bar vagabundo
Saindo ai pelo mundo, ele vai

(Esse eu gosto de reler em certos momentos, não sei por que motivo. É de 2001)