terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Das poesias esquecidas nos lábios de alguém

(Foto: Autor Desconhecido)
As noites daquela estranha mulher não eram mais tecidas por lamúrias infindáveis. A solidão definia com mais clareza o belo do que tem nuances superficiais e ocas. Tolice evitar sentir saudades! Tentar anestesiá-la com futilidades que nada preenchem é digno de escracho.
Quando a gente está em movimento é que as dores diminuem! E a memória se encarrega de colorir só a beleza, se você quiser. A vida é eterna ilusão de simetria.
Bicho arisco, percebeu aos poucos que não havia sido talhada pra esse mundo da sedução. Ainda assim, ela queria a poesia compartilhada entre os corpos. Deitar ao lado de quem se confia qualquer toque, sentindo-se em um intervalo no caos da vida. As pernas entrelaçadas e os sorrisos furtivos. Sem jogos, nem tiranias.
Ela queria reviver as poesias esquecidas nos lábios de alguém (que sabiamente disse-lhe haver dado muito pouco), nem que fosse com outro rosto. Novas migalhas, tão deliciosas quanto as primeiras.
Era melhor descrer nos transbordamentos dos toques e abraços. Não queria que seus tesouros parecessem misérias tolas.

(12 de Fevereiro de 2013 e 27 de Maio de 2013)