Ouço aquela voz que diz baixinho para eu ser fiel aos meus quereres. “Viva a tua verdade!”. Mas há também os gritos de praticidades necessárias – carregadas do mesmo lirismo comedido que tirou a paciência de Bandeira - a um som estridente, contínuo e pouco melodioso, às vezes ininteligível.
Se eu pudesse viver só de belezas – daquelas que dão a mesma sensação de respirar o vento gelado depois de um dia cansativo -, ainda que fossem momentos roubados, o mundo jamais me pesaria e todos os movimentos seriam muito mais fáceis. Em homenagem a quem já partiu, quero fruir o mundo só mais um pouco, sem ligar para o que é 'possível'. Fazer de conta que ainda posso, que ainda me permito. Fazer de conta que meu peito vai ficar estufado depois de só restar mais um não ecoando no silêncio. E se a vida me der um tapa na cara, ainda valerá a pena sorrir.
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