sábado, 26 de maio de 2012

Estados antipoéticos

Hoje estou pedregulho
Dura e incômoda superfície
Restos espalhados de orgulho
Últimas energias
Gastas em ironias
São resistências
Pedaços partidos
De sapiência

Lembrança do medo
Que consome a leveza
Infla pequenas
E torpes penúrias
Esconde os sorrisos
E torna perigo
O que era pra ser
Um grande prazer

Um passado etéreo
Insiste em se manter
E nisso não há mistério
Permanece esse cheiro eterno
De tristeza
E julgamento
Por todo o ar
Vibra o caos
E mortificada
Por bizarro espetáculo
Sou mineral
Sem lágrima e sal
E, abaixo de muitas camadas
Suspiro exasperada
Sedenta daquela poesia
Da pura fruição dos sentidos
Ah, menina!
De peito aberto
Tudo que olhas
É tão mais terno
E toda implicância
Um vão inferno
Mas qualquer tortura dói mais
Inesperado adeus à paz
E o silêncio jaz
No indizível

Um triste vácuo
De sentidos
Inércia do simbólico
E dos meus sorrisos

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