domingo, 28 de novembro de 2010

A Vingança das Palavras


Que o próprio Fernando
Por qualquer um dos seus heterônimos
Nas noites de lua cheia
Deixe insones todos os poetas
Que condenam seus escritos às gavetas

Dorme, dorme, baby
Que a Clarisse vem te pegar
Sem epifania nem estrelas
Porque as palavras sumiram
Bem diante dos teus olhos
Não deves mais vê-las

E o menino em amor solitário
Que deixa sua musa no esquecimento
Deve ser condenado a muitos prazeres
Sufocados pelo medo

Nas esquinas, enquanto tu voltas para casa
Os postes de luz apagarão
E o ectoplasma do Augusto
Vai presentear-te com um grande escarro
Então serás obrigado a olhar
Para a quimera que se esconde
Na escuridão do teu próprio silêncio

Um comentário:

Naiara Longhi disse...

Oi Clarissa!

Fazia bastante tempo que não visitava teu blog. Gostei bastante da última postagem! Sinceramente, espero que eu um dia não seja condenada pelos textos que afogo no fundo das minhas gavetas. Eu até posso. Você, com certeza, não deve fazê-lo. Parabéns por ter esse dom maravilhoso, esse estilo penetrante, essas palavras tão certeiras.
Abraços,
Naiara Longhi