segunda-feira, 17 de maio de 2010

Viagem ao centro do ego

É tudo um louco desejo que afeta meu estômago
Ego incontrolável e resina tóxica que invade minhas veias
É tudo um umbigo querendo ser o centro do mundo
Louca nostalgia de morte

Raiva inverossímil
Quimera microscópica querendo debater-se
São seus últimos suspiros, assim espero

É tudo inconstante e imperfeito
Como se outrora houvesse sido expulsa do Paraíso

Tolice vã que afeta minha sanidade
Uma psiquê risivelmente equilibrada
Os paradigmas são tijolos claustrofóbicos
Mas sem eles tudo é fumaça

Perdida em um labirinto que leva ao centro
Sem acreditar em Teseu ou Minotauro
Pois a escuridão já basta para o desespero

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Deserto

A Solidão soluça: "Endireitem seus caminhos". Ela na verdade quer que venham a si. Mas o que todo mundo ouviu foi um caniço agitado pelo vento. Ninguém decifrou o ruído.
A Solidão é um caminho único mas ninguém se encontra lá. Uns a buscam porque estão feridos e precisam da dignidade do repouso. Outros nasceram naquela estrada. No final é a mesma armadilha.
Deserto sem escorpiões e outros insetos. Não se come gafanhotos muito menos mel. Mas em todos os desertos morre-se de sede. Balela que se encontra o Pequeno Príncipe por esses pagos. Ali tudo cria rugas.
No final das contas a Solidão não gosta de chuva porque todo o verde vai acabar tão rápido que ela vai pedir por mais. Vai sonhar com o que não existe. Então a sensatez é o pessimismo. O melhor é que Deus sonhe pela Solidão. Que lhe dê o sopro para que morra. E assim, viva.


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Manual de instruções do orgulho

Seca minha lágrima, mas não me consola

Não digas bem intencionados clichês

Pois não quero nem a mais gorda esmola

Observas, raciocinas, mas finges que não vês

Que obviedades pululam na tua mente

Mas segues parcas instruções fantasmagóricas

E a mim só resta alguma ironia recente

Não quero a tua piedade genérica

Solidariedade insossa

Me dês a mão e aquiete

Sem perguntas

Levas-me para um passeio

E não te preocupas com meus anseios

Deixe nossas pegadas bem juntas

Tão inocentes

Tão imperfeitas

Buraco Negro

"...havia o silêncio, que mostrou os meus vícios" (Palavrantiga)

É como se eu já tivesse ouvido todas as palavras

É como se eu já tivesse chorado todas as lágrimas

Um buraco sem fundo

E há só há inquietação eterna no fim da queda

Balanço perigosamente - é uma dança, enfim

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Trecho de alguma coisa

"Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto — e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavras que digo escondem outras — quais? talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no poço fundo."

Um Sopro de Vida
(Pulsações)
Clarice Lispector

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Diálogos solitários

Travo diálogos interiores
Porque sou muitas
(E nenhuma delas concorda com a outra)

Meninas e mulheres
Que passeiam pela loucura
Algumas delas
Não acharam o caminho de volta

Por que há a maldita perfeição nas coisas imperfeitas?
Tudo único num conjunto em movimento que parece o caos
O Senhor age por sopros sutis
E isso me convence que Ele é justo
Só não sei o que será de mim

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Pequeno papel rasgado

Descobri que as pessoas são livros mais facinantes
Com seus defeitos brilhantes
E eu peno em conhecer seus alfabetos

Pequeno papel rasgado
Propício para mandar um recado
Mas não sei o que escrever

A letra causa a morte
A solidão do espírito sem lei angustia
Eu fico com meus rabiscos
Feitos de uma felicidade agonizante
E uma gratidão insólita

09-09-2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ímpeto

O súbito ímpeto que jaz como indigente
A vida em preto e branco
E o andar do gato indecente
Me dão um ar abrasivo
Olhos de pouco caso
Corpo introspectivo

Ligeiras epifanias
Tão mentirosas e instintivas
Falácias e falsas premissas
Fazem você se afastar
E eu fico soturna
Tentando sempre acertar

Súbita inconsciência
Hoje, é sempre última chance
Então contemplo secamente a minha face
Resignada por um dia perdido

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Árvore da vida


E correndo de ilusão em ilusão

Escapo da Verdade

Porque a glória

É só um bater de coração


A melhor mentira está pertinho

Me dando náuseas


E a realidade escapa entre meus dedos

Ampulheta magnífica do meu envelhecer

Estranhas palavras tão familiares

Que fazem o tempo rolar em segredo


As letras se transformam em grãos de areia

Sem nenhum sentido


Duas meninas brincam

Eu e a Verdade

Entre sorrisos e corridas

Entre silêncios e feridas

Antes que eu caia em um sono eterno

terça-feira, 24 de junho de 2008

Parassimpático poético

Relata sutil o olho que brilha
Que dilata, do sujeito, a pupila
Mesmo longe, é tudo poesia vivaz

O pêlo daquele corpo arrepia
E martela em mim a nostalgia

Memória corpórea que traz
Evidências que desfaleço
Morna, amarga e sem viço

Parassimpático poético
Síntese do sono eterno
E meu conforto maléfico

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A favor das incertezas

Gosto do querer subjacente
Vem para a beira da razão,
Mas meu miserável corpo mente
Meu miserável corpo é prisão.

Faço uma aliança pernóstica
Para me ver sobre outra ótica,
E, após (mesquinhas) cismas
Descubro entre rimas
Que sou eu quem me saboto.
Por medo de ser destoante,
Não quero dar o passo adiante.
O mundo gira e eu nem noto.

É tudo tão simples? Estou fora?
Para os certinhos, uma estranha.
Para os maconheiros, uma senhora.
Deixo livre quem me quer bem:
É assim o enredo da história.
Em verdade, ninguém é refém,
A não ser da afeição.
Sensato é quem sabe
Que não está com a razão.

E nas dúvidas, não temo
Passar por becos fétidos.
Com certezas me enveneno
E tombo, sobriamente louca
Em fantasmas esquecidos.
São faces torpes de mim mesma,
Que dormem em qualquer canto,
Que desabam em qualquer cisma.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

As palavras de uma lágrima

Não sou parte de nada
Um reflexo na água
Vã acaso da lucidez
Uma toca escura
E só vejo fantasmas

Não tenho pouso nem casa
Não tenho armas nem espinhos
Não construi

Sem rota, sem rumo
Pelo que vale a pena morrer?
O destino será mesmo não pertencer?

Meus caminhos são percalços
Rotas fugitivas de emergência
Discórdia interior
Ante a Omniciência

Cansei de perder
Cansei de notar
Detalhes tristes
Não tenho paz

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O frágil chão em que piso.



A Verdade! Contemplá-la como amiga é motivo para um sorriso, apesar de ela estar muito além do nosso conhecimento. Trata-se de uma busca: é como engatinharmos cegos por um caminho estreito e firme, enquanto o resto é pântano. Você sente que analisar as coisas a sua volta buscando pela essência delas é uma forma de colher bons frutos no futuro. As mentiras criam ilhas, as verdades (que são as raízes da árvore da Verdade) criam pontes.

E quando as pessoas que você ama têm ilusões e preconceitos que não querem largar? E se sufocam os outros por isso?

Sempre há mais pessoas envolvidas. Nem que sejam fantasmas: as lembranças que assombram. E você entende os todos os lados o suficiente para não se sentir uma pessoas eternamente perseguida pelo mundo. Mas, ao tentarmos agir, devemos levar em conta como tudo (ou o conjunto das pessoas envolvidas) se JUSTIfica. Se o problema é muito grande, quem tem uma visão panorâmica o suficiente para não deixar escapar nenhum detalhe, para não errar feio em nenhuma projeção? Eu estou muito longe disso, longe o suficiente de poder enxergar e sentir quando piso num mar de lama, numa areia movediça. Só no momento em que a coisa começa a alcançar o meu pescoço eu acordo. Sem saber o que fazer.

domingo, 20 de abril de 2008

Não há pedra sobre pedra

Guerreiro das ruas
Veste a armadura
Seu medo morreu?

Não há mais brilho no olhar
Busca sem esperança
Seu sorriso se perdeu

Guerreiro das ruas
Todos sofrimentos ocultam-se
Sobre uma cortina-de-fumaça

Soldado de ferro
Que no fundo é
Um menino sozinho

Guerreiro das ruas
Sentimentos difíceis de enfrentar
E com uma faca ele quer ocultar

A sobriedade é dolorosa
A verdade causa raiva
São dores sem vazão

Guerreiro das ruas
Eternamente perseguido
A ser homem tem aprendido

Não reflete, obedece
Seus bons instintos desvanecem
Ninguém confia mais em você?

Guerreiro das ruas
É difícil voltar
Descobriu muitas coisas

Não há dúvidas?
Só más certezas?
Dolorosos desprezos?

Guerreiro sem pátria
Foge por ruas obscuras
Mas não encontra o que procura

Deixo o fim para você
Estou aqui para ouvi-lo
Mas o primeiro passo é seu

terça-feira, 15 de abril de 2008

O ponto de vista do pensamento

Nós duas estamos diante de uma praia, mal iluminadas pela lua minguante e, de vez em quando, pela luz de um farol distante. A velha senhora rompe o silêncio:

- Quem és tu?

- Aquele barco navegando sem vela e sem bússola.

- Quem és tu?

- Um universo de possibilidades. Sou as sombras que nos rodeiam.

- Quem és tu?

- Filha de Deus, eu espero.

- Quem és tu?

- Sou uma lembrança de ti – disse, triste, pois um devaneio não fica contente em ser descoberto.


domingo, 30 de março de 2008

Sobre o porquê eu não gosto de 'coisinhas meigas'.

O fluxo da mudança me corrói. O fluxo que tende sempre ao fim. A busca incessante por algo que eu não sei o que é. Talvez um amigo-amor-paixão. Esse é ponto de vista de onde falo.

De que adianta reclamar contra a banalização? Nos entusiasmamos, choramos. Alguns até cerr
am os punhos e acham que vão mudar o mundo. E nem sequer mudam a si.

Banalizamos os sentimentos definições, as palavras, as atitudes. Anestesiamo-nos. E temos uma terrível tendência a seguir padrões. Abomino tal massificação, mas às vezes não tenho força para nadar contra a correnteza.

Palavras são sintomáticas. Quanto mais específicas e variadas, maior a possibilidade de nos fazermos entender. Quanto mais ampliado é o seu sentido, mais perigos se escondem.

O caso mais clássico?

(Dou só uma chance!)

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.
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Amor.

O comércio absorveu o amor. Há uma absoluta indefinição entre intenções e ações. Amor virou conforto.

A conveniência absorveu o amor. Beijo e abraço viraram obrigações sociais. O sorriso virou armadura. Amor virou medo.

O imediatismo absorveu o amor. Trocamos o amor-mito pelo amor-em-cada-esquina. Amor virou entorpecente.

Os gregos

A auto-ajuda é questionável em muitos pontos. Mas creio que há livros que se salvam da pieguice. Li "O Monge e o Executivo", que trata da essência da liderança. O estilo de texto é regular, porém muitos conteúdos valem ser aprendidos ou relembrados.

Uma das felizes colocações é sobre as definições gregas que definem a tal palavra tão banalizada.

O fundo é religioso, mas o alcance é universal.

“O professor de línguas me explicou que muito do Novo Testamento foi originalmente escrito em grego, e os gregos usavam várias palavras diferentes para descrever o multifacetado fenômeno do amor. Se bem me lembro, uma dessas palavras era eros, da qual se deriva a palavra erótico, e significa sentimentos baseados em atração sexual e desejo ardente. Outra palavra grega para amor, storgé, é afeição, especialmente com a família e entre os seus membros. Nem eros nem storgé aparecem nas escrituras do Novo Testamento. Outra palavra grega para amor era philos, ou fraternidade, amor recíproco. Uma espécie de amor condicional, do tipo "você me faz o bem e eu faço o bem a você" Finalmente, os gregos usavam o substantivo ágape e o verbo correspondente agapaó para descrever um amor incondicional, baseado no comportamento com os outros, sem exigir nada em troca. E o amor da escolha deliberada. Quando Jesus fala de amor no Novo Testamento, usa a palavra ágape, um amor traduzido pelo comportamento e pela escolha, não o sentimento do amor.” (O Monge e O Executivo, Pg. 52, 53).

Eros,
Storgé,
Philos,
Ágape.

Não mencionado: epithymia. É o desejo sexual propriamente dito, enquanto eros é o ato de enamorar-se.

Cada um desses "amores" merece livros inteiros. Mas, irei me deter ao ágape.

A escolha correta e justa. Sem passividade, sem ingenuidade. Com profundidade. A capacidade de saber controlar os sentimentos ruins e vencê-los.

Ágape é atitude. Parte da convicção que "O ser humano se torna eu pela relação com o você. À medida que me torno eu, digo você. Todo viver real é encontro" (Martin Buber).

Palavras são sintomáticas. Precisamos de palavras cítricas. Palavras amargas. Gostos exóticos. Precisamos de odores. De choques de realidades.

È por isso que eu gosto de poemas de amor que não mencionem ou quase não mencionem a tal palavrinha.

No fundo eu sou uma subversiva.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Cinema Paradiso

Anotei algumas frases que marcaram um dos melhores filmes que eu já assisti. Coloquei-as aqui com o intuito de mantê-las vivas na minha memória. E também para provocar a curiosidade de quem ainda não assistiu à história da linda amizade entre Alfredo e Salvattore, o Totó.


“Escolho amigos pelo aspecto e inimigos pela inteligência. E você é inteligente demais para ser meu amigo”.

“Agora que perdi a visão, enxergo mais. Vejo o que não via antes, graças a você, que me salvou a vida. Não esquecerei disso”.

“O homem que pesa mais, pisa mais fundo e, se ama, sofre, pois sabe que está num beco sem saída. [...] Não sou eu que digo. Foi John Wayne em ‘Rastros de Ódio’”.

“Cedo ou tarde chega a hora em que falar ou calar são a mesma coisa. Então é melhor ficar quieto”.

“Todos temos uma estrela para seguir. Vá embora. Esta terra é má. Quando você está sempre aqui, sente-se no centro do mundo. Parece que nada muda, nunca. Aí você fica fora, um ano, dois, e ao voltar, mudou tudo. Algo se quebrou. Você não acha a quem procura. Tuas coisas não existem mais. È preciso ir embora por muito tempo, por muitíssimos anos, para encontrar, na volta, a tua gente, a terra onde nasceu. Agora não é possível. Você está mais cego do que eu”.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Reflexões para o 21º ano

Eu não encontro as palavras certas

Elas escorrem por entre minhas mãos

Onde as esqueci?


Eu fugi das palavras fortes

As palavras que revelam

Quadros ocultos e frustrantes

Pois minhas mãos enfraqueceram


Paralisei-me perante os meus sonhos

Pensando que sou o que planejo

No escuro do quarto


Encontro a paz

Convidada a dormir um sono eterno

Desejosa de momentos infinitos

E percepções novas


Derrubei os altares

Que eu mesma ergui

Mas esqueci

Do grande Senhor Medo


Que as palavras escondidas

Não se tornem fantasmas


Que a culpa só se manifeste

Em doses homeopáticas


E que a felicidade esteja sempre

Acompanhada do ímpeto de ser feliz

domingo, 16 de setembro de 2007

Terra prometida

- As pessoas dessa cidade parecem ser menos preconceituosas que as das outras... – disse eu, num lampejo de infância.

- Será mesmo? – a resposta dela me fez acordar.

A sensação que tive ao visitar a terra onde nasci após um longo tempo fora é a de acordar de um sonho bom. O tempo imprime uma decadência familiar a tudo, e é por isso que podemos reviver as nossas lembranças ao olhar para um portão enferrujado ou para uma vida que se deteriora. Despedi-me. Percorri a rua na mais consoladora solidão, em busca de uma história que faz parte da minha.

Cheguei ao meu destino. Vim visitar a ausência que toma conta de uma casa em especial. Encontrei dois olhares que me pediam um pouco de atenção. Foi tudo tão estranho! O vazio parecia ser mais real do que aqueles dois seres que vi.

O olhar dela era Nostalgia. Sentia falta de outros tempos, de outros risos. Ora ela me perguntava sobre minha vida, ora chorava, ora ria. Poucas vezes me encarava. Como diria a canção, nada é mais triste neste mundo louco do que matear com a ausência de quem já se foi.

O olhar dele era Incógnita. Ás vezes ele pedia carinho. A insistência dele em me fitar perturbou-me. Será que ele queria saber o que estava acontecendo? Ou queria me confidenciar algo? Depois daquele olhar, há de se refletir sobre a sabedoria. A sabedoria dos cães.

Despeço-me pensando na terra prometida que só existe nas minhas lembranças. A terra que para uns é o Céu e para outros é inferno.

(*Esse texto estava martelando na minha cabeça... Só agora tive coragem de escrevê-lo...)

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Vícios ou virtudes

Não temas a chuva
Ela lavará a poeira
Que se forma sobre os teus ideais

Não temas o vento
Ele desfará as teias
Que as aranhas tecem na tua cabeça

Não temas a noite
Pois os morcegos
Não se alimentam das tuas misérias
Espirituais


* Comecei ter a inspiração para esse poema no dia 05/02/07, na fila do banco... È outro poema que ficou no meu arquivo...