quarta-feira, 28 de julho de 2010
Palavras Entorpecentes
Certas palavras já são suficientemente tóxicas
Assim minha cabeça languidamente se esvazia
E a decadência já me cai bem
Ao pôr-do-Sol, meu riso insano me detém
Envenenemo-nos pois
Com nossas intimidadades pérfidas
E teu humor fugaz
Com minha mente deteriorada
E nossa ausência de paz
*Inspirada em outros humores
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Viagem ao centro do ego
Ego incontrolável e resina tóxica que invade minhas veias
É tudo um umbigo querendo ser o centro do mundo
Louca nostalgia de morte
Raiva inverossímil
Quimera microscópica querendo debater-se
São seus últimos suspiros, assim espero
É tudo inconstante e imperfeito
Como se outrora houvesse sido expulsa do Paraíso
Tolice vã que afeta minha sanidade
Uma psiquê risivelmente equilibrada
Os paradigmas são tijolos claustrofóbicos
Mas sem eles tudo é fumaça
Perdida em um labirinto que leva ao centro
Sem acreditar em Teseu ou Minotauro
Pois a escuridão já basta para o desespero
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Deserto
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Manual de instruções do orgulho
Seca minha lágrima, mas não me consola
Não digas bem intencionados clichês
Pois não quero nem a mais gorda esmola
Observas, raciocinas, mas finges que não vês
Que obviedades pululam na tua mente
Mas segues parcas instruções fantasmagóricas
E a mim só resta alguma ironia recente
Não quero a tua piedade genérica
Solidariedade insossa
Me dês a mão e aquiete
Sem perguntas
Levas-me para um passeio
E não te preocupas com meus anseios
Deixe nossas pegadas bem juntas
Tão inocentes
Tão imperfeitas
Buraco Negro
"...havia o silêncio, que mostrou os meus vícios" (Palavrantiga)
É como se eu já tivesse ouvido todas as palavras
É como se eu já tivesse chorado todas as lágrimas
Um buraco sem fundo
E há só há inquietação eterna no fim da queda
Balanço perigosamente - é uma dança, enfim
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Trecho de alguma coisa
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Diálogos solitários
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Pequeno papel rasgado
Com seus defeitos brilhantes
E eu peno em conhecer seus alfabetos
Pequeno papel rasgado
Propício para mandar um recado
Mas não sei o que escrever
A letra causa a morte
A solidão do espírito sem lei angustia
Eu fico com meus rabiscos
Feitos de uma felicidade agonizante
E uma gratidão insólita
09-09-2008
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Ímpeto
A vida em preto e branco
E o andar do gato indecente
Me dão um ar abrasivo
Olhos de pouco caso
Corpo introspectivo
Ligeiras epifanias
Tão mentirosas e instintivas
Falácias e falsas premissas
Fazem você se afastar
E eu fico soturna
Tentando sempre acertar
Súbita inconsciência
Hoje, é sempre última chance
Então contemplo secamente a minha face
Resignada por um dia perdido
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Árvore da vida

Escapo da Verdade
Porque a glória
É só um bater de coração
A melhor mentira está pertinho
Me dando náuseas
E a realidade escapa entre meus dedos
Ampulheta magnífica do meu envelhecer
Estranhas palavras tão familiares
Que fazem o tempo rolar em segredo
As letras se transformam em grãos de areia
Sem nenhum sentido
Duas meninas brincam
Eu e a Verdade
Entre sorrisos e corridas
Entre silêncios e feridas
Antes que eu caia em um sono eterno
terça-feira, 24 de junho de 2008
Parassimpático poético
Que dilata, do sujeito, a pupila
Mesmo longe, é tudo poesia vivaz
O pêlo daquele corpo arrepia
E martela em mim a nostalgia
Memória corpórea que traz
Evidências que desfaleço
Morna, amarga e sem viço
Parassimpático poético
Síntese do sono eterno
E meu conforto maléfico
segunda-feira, 9 de junho de 2008
A favor das incertezas
Vem para a beira da razão,
Mas meu miserável corpo mente
Meu miserável corpo é prisão.
Faço uma aliança pernóstica
Para me ver sobre outra ótica,
E, após (mesquinhas) cismas
Descubro entre rimas
Que sou eu quem me saboto.
Por medo de ser destoante,
Não quero dar o passo adiante.
O mundo gira e eu nem noto.
É tudo tão simples? Estou fora?
Para os certinhos, uma estranha.
Para os maconheiros, uma senhora.
Deixo livre quem me quer bem:
É assim o enredo da história.
Em verdade, ninguém é refém,
A não ser da afeição.
Sensato é quem sabe
Que não está com a razão.
E nas dúvidas, não temo
Passar por becos fétidos.
Com certezas me enveneno
E tombo, sobriamente louca
Em fantasmas esquecidos.
São faces torpes de mim mesma,
Que dormem em qualquer canto,
Que desabam em qualquer cisma.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
As palavras de uma lágrima
Um reflexo na água
Vã acaso da lucidez
Uma toca escura
E só vejo fantasmas
Não tenho pouso nem casa
Não tenho armas nem espinhos
Não construi
Sem rota, sem rumo
Pelo que vale a pena morrer?
O destino será mesmo não pertencer?
Meus caminhos são percalços
Rotas fugitivas de emergência
Discórdia interior
Ante a Omniciência
Cansei de perder
Cansei de notar
Detalhes tristes
Não tenho paz
quinta-feira, 24 de abril de 2008
O frágil chão em que piso.
A Verdade! Contemplá-la como amiga é motivo para um sorriso, apesar de ela estar muito além do nosso conhecimento. Trata-se de uma busca: é como engatinharmos cegos por um caminho estreito e firme, enquanto o resto é pântano. Você sente que analisar as coisas a sua volta buscando pela essência delas é uma forma de colher bons frutos no futuro. As mentiras criam ilhas, as verdades (que são as raízes da árvore da Verdade) criam pontes.
E quando as pessoas que você ama têm ilusões e preconceitos que não querem largar? E se sufocam os outros por isso?
Sempre há mais pessoas envolvidas. Nem que sejam fantasmas: as lembranças que assombram. E você entende os todos os lados o suficiente para não se sentir uma pessoas eternamente perseguida pelo mundo. Mas, ao tentarmos agir, devemos levar em conta como tudo (ou o conjunto das pessoas envolvidas) se JUSTIfica. Se o problema é muito grande, quem tem uma visão panorâmica o suficiente para não deixar escapar nenhum detalhe, para não errar feio em nenhuma projeção? Eu estou muito longe disso, longe o suficiente de poder enxergar e sentir quando piso num mar de lama, numa areia movediça. Só no momento em que a coisa começa a alcançar o meu pescoço eu acordo. Sem saber o que fazer.
domingo, 20 de abril de 2008
Não há pedra sobre pedra
Veste a armadura
Seu medo morreu?
Não há mais brilho no olhar
Busca sem esperança
Seu sorriso se perdeu
Guerreiro das ruas
Todos sofrimentos ocultam-se
Sobre uma cortina-de-fumaça
Soldado de ferro
Que no fundo é
Um menino sozinho
Guerreiro das ruas
Sentimentos difíceis de enfrentar
E com uma faca ele quer ocultar
A sobriedade é dolorosa
A verdade causa raiva
São dores sem vazão
Guerreiro das ruas
Eternamente perseguido
A ser homem tem aprendido
Não reflete, obedece
Seus bons instintos desvanecem
Ninguém confia mais em você?
Guerreiro das ruas
É difícil voltar
Descobriu muitas coisas
Não há dúvidas?
Só más certezas?
Dolorosos desprezos?
Guerreiro sem pátria
Foge por ruas obscuras
Mas não encontra o que procura
Deixo o fim para você
Estou aqui para ouvi-lo
Mas o primeiro passo é seu
terça-feira, 15 de abril de 2008
O ponto de vista do pensamento
- Quem és tu?
- Aquele barco navegando sem vela e sem bússola.
- Quem és tu?
- Um universo de possibilidades. Sou as sombras que nos rodeiam.
- Quem és tu?
- Filha de Deus, eu espero.
- Quem és tu?
- Sou uma lembrança de ti – disse, triste, pois um devaneio não fica contente em ser descoberto.
domingo, 30 de março de 2008
Sobre o porquê eu não gosto de 'coisinhas meigas'.
De que adianta reclamar contra a banalização? Nos entusiasmamos, choramos. Alguns até cerram os punhos e acham que vão mudar o mundo. E nem sequer mudam a si.
Banalizamos os sentimentos definições, as palavras, as atitudes. Anestesiamo-nos. E temos uma terrível tendência a seguir padrões. Abomino tal massificação, mas às vezes não tenho força para nadar contra a correnteza.
Palavras são sintomáticas. Quanto mais específicas e variadas, maior a possibilidade de nos fazermos entender. Quanto mais ampliado é o seu sentido, mais perigos se escondem.
O caso mais clássico?
(Dou só uma chance!)
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Amor.
O comércio absorveu o amor. Há uma absoluta indefinição entre intenções e ações. Amor virou conforto.
A conveniência absorveu o amor. Beijo e abraço viraram obrigações sociais. O sorriso virou armadura. Amor virou medo.
O imediatismo absorveu o amor. Trocamos o amor-mito pelo amor-em-cada-esquina. Amor virou entorpecente.
Os gregos
A auto-ajuda é questionável em muitos pontos. Mas creio que há livros que se salvam da pieguice. Li "O Monge e o Executivo", que trata da essência da liderança. O estilo de texto é regular, porém muitos conteúdos valem ser aprendidos ou relembrados.
Uma das felizes colocações é sobre as definições gregas que definem a tal palavra tão banalizada.
O fundo é religioso, mas o alcance é universal.
Eros,
Storgé,
Philos,
Ágape.
Não mencionado: epithymia. É o desejo sexual propriamente dito, enquanto eros é o ato de enamorar-se.
Cada um desses "amores" merece livros inteiros. Mas, irei me deter ao ágape.
A escolha correta e justa. Sem passividade, sem ingenuidade. Com profundidade. A capacidade de saber controlar os sentimentos ruins e vencê-los.
Ágape é atitude. Parte da convicção que "O ser humano se torna eu pela relação com o você. À medida que me torno eu, digo você. Todo viver real é encontro" (Martin Buber).
Palavras são sintomáticas. Precisamos de palavras cítricas. Palavras amargas. Gostos exóticos. Precisamos de odores. De choques de realidades.
È por isso que eu gosto de poemas de amor que não mencionem ou quase não mencionem a tal palavrinha.
No fundo eu sou uma subversiva.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Cinema Paradiso
Anotei algumas frases que marcaram um dos melhores filmes que eu já assisti. Coloquei-as aqui com o intuito de mantê-las vivas na minha memória. E também para provocar a curiosidade de quem ainda não assistiu à história da linda amizade entre Alfredo e Salvattore, o Totó.
“Escolho amigos pelo aspecto e inimigos pela inteligência. E você é inteligente demais para ser meu amigo”.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Reflexões para o 21º ano
Eu não encontro as palavras certas
Elas escorrem por entre minhas mãos
Onde as esqueci?
Eu fugi das palavras fortes
As palavras que revelam
Quadros ocultos e frustrantes
Pois minhas mãos enfraqueceram
Paralisei-me perante os meus sonhos
Pensando que sou o que planejo
No escuro do quarto
Encontro a paz
Convidada a dormir um sono eterno
Desejosa de momentos infinitos
E percepções novas
Derrubei os altares
Que eu mesma ergui
Mas esqueci
Do grande Senhor Medo
Que as palavras escondidas
Não se tornem fantasmas
Que a culpa só se manifeste
Em doses homeopáticas
E que a felicidade esteja sempre
Acompanhada do ímpeto de ser feliz
domingo, 16 de setembro de 2007
Terra prometida
- Será mesmo? – a resposta dela me fez acordar.
A sensação que tive ao visitar a terra onde nasci após um longo tempo fora é a de acordar de um sonho bom. O tempo imprime uma decadência familiar a tudo, e é por isso que podemos reviver as nossas lembranças ao olhar para um portão enferrujado ou para uma vida que se deteriora. Despedi-me. Percorri a rua na mais consoladora solidão, em busca de uma história que faz parte da minha.
Cheguei ao meu destino. Vim visitar a ausência que toma conta de uma casa em especial. Encontrei dois olhares que me pediam um pouco de atenção. Foi tudo tão estranho! O vazio parecia ser mais real do que aqueles dois seres que vi.
O olhar dela era Nostalgia. Sentia falta de outros tempos, de outros risos. Ora ela me perguntava sobre minha vida, ora chorava, ora ria. Poucas vezes me encarava. Como diria a canção, nada é mais triste neste mundo louco do que matear com a ausência de quem já se foi.
O olhar dele era Incógnita. Ás vezes ele pedia carinho. A insistência dele em me fitar perturbou-me. Será que ele queria saber o que estava acontecendo? Ou queria me confidenciar algo? Depois daquele olhar, há de se refletir sobre a sabedoria. A sabedoria dos cães.
Despeço-me pensando na terra prometida que só existe nas minhas lembranças. A terra que para uns é o Céu e para outros é inferno.
(*Esse texto estava martelando na minha cabeça... Só agora tive coragem de escrevê-lo...)