quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Insaciável

Vontade de mudar, de novo. De sair desse sossego cansativo que empoeira a alma. Mostrar ao mundo que mudei pra que, de uma vez, pare de ser rotina convencer a mim mesma que não foi tudo miragem.
Vontade de olhar no espelho e ver outra imagem. De olhar no espelho e não ter medo que a velha imagem volte. Que os velhos medos sintam saudade, batam na porta e queiram voltar mais uma vez.
Vontade de que o rosto diga tudo que a alma quer gargalhar e até chorar. Que o corpo não volte a ser uma mera formalidade incômoda. E a mente não seja refúgio.
Vontade de hipnotizar sorrindo, mesmo que tudo desmorone como um castelo de cartas (afinal a sedução é um jogo no qual o segredo é descobrir quais são as regras).
Vontade de inflamar mentes, mesmo que seja projeção. De voar livre, mesmo que o céu seja eterna promessa. Vontade de abrir o peito até para tomar tapas da vida.
Vontade de fitar outros olhos com tranquilidade, da fala sair despreocupada e sonora, dos pés voltarem a inventar o próprio chão.

sábado, 5 de novembro de 2011

Cigana Budista

Acordaram aquelas vontades
De cigana budista
De respirar o deleite
Sem o peso da posse

Numa idiossincrasia selvagem
Vagueio em desertos escaldantes
Assombrada por rostos encantados

Desassossegos santos
E o meu suspiro é encontro
Com os sorissos desinteressados
E as inquietudes das mentes consumidas
Por procuras insanas
Caravanas de vida
Pra dividir as lágrimas
E acompanhar as danças

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ouço aquela voz que diz baixinho para eu ser fiel aos meus quereres. “Viva a tua verdade!”. Mas há também os gritos de praticidades necessárias – carregadas do mesmo lirismo comedido que tirou a paciência de Bandeira - a um som estridente, contínuo e pouco melodioso, às vezes ininteligível.
Se eu pudesse viver só de belezas – daquelas que dão a mesma sensação de respirar o vento gelado depois de um dia cansativo -, ainda que fossem momentos roubados, o mundo jamais me pesaria e todos os movimentos seriam muito mais fáceis. Em homenagem a quem já partiu, quero fruir o mundo só mais um pouco, sem ligar para o que é 'possível'. Fazer de conta que ainda posso, que ainda me permito. Fazer de conta que meu peito vai ficar estufado depois de só restar mais um não ecoando no silêncio. E se a vida me der um tapa na cara, ainda valerá a pena sorrir.

sábado, 20 de agosto de 2011

Substantivos Abstratos


O Universo conspira para que eu ria
Mesmo em meio à melancolia
Dilui passionalidades inconstantes
Na beleza de surpreendentes instantes

Destino, dá-me a chance
De pensar que tenho alma
E encontrar de relance
A honestidade e a calma
Deixa-me honrar as palavras
Substantivos abstratos
Com feitos concretos
Transbordando brilhos
E predicados

domingo, 24 de julho de 2011

Um tom mais brilhante


Pérola descobriu tarde que fora feita para a noite. Não gostava de se entorpecer com a bebida, muito menos de fumar. Mas as companhias boêmias faziam-lhe todo o sentido. As tardes claras e mornas pareciam irreais depois de conversas noturnas intensas. Desenvolvera uma espécie de receio à luz do Sol. Ao mesmo tempo que a fumaça do cigarro dos amigos irritava-lhe a garganta, trazia as lembranças mais interessantes que havia tido até então. O cheiro do tabaco era uma espécie de provocação: no início, um exercício de paciência, depois de sublimação do olfato. Seu espírito poético acabou interpretando o odor que permanecia em seus cabelos após as noites como um sinal de que o êxtase era real, e não um sonho, porque imperfeito. E ela fugia das perfeições desde que descobrira-se protegida da vida por aqueles que mais amava: os avós que a criaram. Vivia sendo constantemente preservada, realizando seus estudos e orações com assiduidade, passeando à tarde nas praças e assistindo a filmes de romance. A fizeram acreditar que havia um momento certo pra tudo. Os avós, percebendo que era introvertida, certa vez falaram com um rapaz tímido, amigo da família, para namorá-la. Antes mesmo do menino se apresentar ela ouviu, meio sem querer, a conversa dos avós atrás da porta e se desagradou. Alguma coisa naquilo a frustrou, mas não sabia o que. Ela falou alto com os avós, pedindo para não fazerem aquilo. Os avós ficaram tristes. No dia seguinte Pérola fez macarrão no almoço e não se falou mais no assunto. Os sorrisos voltaram ao seu fluxo normal por um tempo.
Mas não a pensem (em virtude da mudança) uma rebelde sem causa. A ânsia em esperar pelos sonhos batendo em sua porta ia desvanecendo sua alma em um processo contínuo. Com 26 anos seus amigos da faculdade de Psicologia haviam mudado e os avós a sentiam distante. A avó começou a notar que não realizava mais as suas orações e havia chegado a chorar na frente dela umas três ou quatro vezes por causa disso. Não que ela não cresse, só não sabia mais, e resolveu se aceitar com isso. Recebeu também alguns olhares de reprovação quando começou a voltar para casa depois da meia noite. Certo dia deu um beijo nos avós e disse que, como não queria incomodar, estava de mudança para uma quitinete, porém, viria visitá-los nos fins-de-semana.
Agora Pérola sentia-se nativa das ruas escuras nas voltas para casa. Chamavam-na de careta – e era, de forma convicta. Sentia tristeza ao ver os viciados sob fissura, demonstrando uma alegria tão banhada de desespero. Mas aquele caos e a mistura de cheiros tão contraditórios faziam-na feliz. As almas conhecidas ou desconhecidas que se expunham de surpresa eram seu deleite. Não se sentia mais poupada da vida ajudando bêbados a vomitarem seus excessos da alma e do corpo. Frequentemente ficava sob o êxtase de ter alguns de seus mistérios desvendados, durante longas conversas com amigos, fossem eles passageiros ou velhos conhecidos. Aceitava as lágrimas e as angústias como um presente da vida, para por tudo em movimento. A noite acendeu nela o tom brilhante que já carregava em seu nome.

Um tom mais leve

Ela nunca foi perdoada. Nenhuma palavra fora dita sobre o assunto, mas a cena estava ali, clara. As outras a olhavam querendo parecer desdenhosas, mas na verdade estavam sob constante assombro quando a figura dela vinha em suas retinas. Duas eram até mais novas do que ela, porém as rugas - que todas já tinham – só impunham respeito à feição das quatro mulheres sentadas na varanda de uma casa do interior.
Ela vinha por uma estrada de chão que subia até a casinha afastada de tudo. As poucas árvores do caminho mal atrapalhavam quem queria observar o andar dela. Os cabelos da mulher caiam propositadamente de um coque feito com um grampo de madeira especialmente trabalhada. Alguns fios brancos, que a tintura castanha não cobria, davam um indício que ela já passava dos 45 anos. Usava um jeans daqueles comprados em qualquer loja de departamento: presente de Natal distraído que ela aceitara com muito gosto. Uma camiseta lilás colava-lhe no corpo. E só. Isso bastava-lhe. Seu andar parecia indiferente ao fato daquilo ser uma estrada de chão, cheia de pedregulhos.
Ela chegou em casa. Nunca fez questão de ser toda sorrisos. Olhou para as quatro mulheres da mesma maneira que sempre havia olhado.
- Comprei a farinha e a alface que vocês pediram, mas os tomates estavam quase todos com manchas. E não haviam prendedores de madeira. Comprei os de plástico.
- Procurou direito?
- Sim.
Há tempos ela não esperava mais respostas nos olhares das outras. Entrou em casa, guardou as compras, pegou os fones de ouvido. Escutou seu rock durante toda a tarde daquele sábado, a não ser na hora de ajudar a preparar o almoço e o jantar ao lado das outras quatro. Só arriscava imitar o baterista quando estava sozinha no quarto. Não se arrependeu de não ter aprendido a tocar esse instrumento. Essa molecagem com as mãos parecia um jeito de conservar a infância.
Faltando sete minutos para as oito da noite, ela recebeu uma ligação. As outras intuíram do que se tratava, mas só tiveram certeza quando a viram em seu vestido preto. Usava uma maquiagem leve, brincos que imitavam brilhante, as unhas pintadas de pérola.
Ela nunca foi perdoada por aquele brilho que mantinha constantemente na pupila e por todo o seu esforço para mantê-lo. Era lei daquele mundinho que mulheres tinham que desvanecer. Um indício de moral. Ninguém deveria dar um tom mais leve na palidez delas. Nos sábados aquilo ficava tão evidente, que as outras só conseguiam dar tchau.

sábado, 16 de julho de 2011

Dialética da Vida

Não me deixe ser inocente, meu bem
As santas nunca sorriem no altar
Conheça minha mente a se reorganizar
Pois desacostumei a ser mera refém
De medos e circunstâncias
Agora, valorizo minhas andanças
Erros e acertos como um novo conhecimento
Em meio à loucura desse movimento
Do sangue que corre nas veias
Às lágrimas alheias
E minhas angústias

A minha síntese 
Está fora do teu escopo
Além do teu moralismo louco
Vou formando novas teses
Na pirueta infinita
Dialética da vida
Eu tropeço em alguns passos

Agora eu não espero mais
Bebo às agruras da liberdade
Em uma taça quebrada
Esquecendo das "verdades"
Absolutizadas e engarrafadas 
Só me deixe guardar a minha
A mais pura e ébria poesia
Em meio a uma lucidez tímida
De momentos clandestinos

(17-06 e 16-07-2011)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ao léu...

Entenda que aquela voz que me fazia querer tudo e ter medo de tudo aquietou. Agora me deixe desbravar o caminho de liberdade que encontrei de repente. Deixe que eu me fira e me cure. Fira-me e cure-me se eu permitir. Deixe-me viver meus êxtases e exautões aos pedaços. Quem sabe construo um mosaico colorido ao fim disso tudo.
 

terça-feira, 17 de maio de 2011

Solidão Blasè

Permita-me não fazer sentido
Aqui quieta no meu canto
E em face a um maior espanto
Não sofra por mim

Eu te olho de soslaio
Querendo tolamente
Que a vida fosse um ensaio
Para saber como agir
Sem que o próximo passo
Impulsione-me a fugir

Deixe-me ser por inteira
Aceite as minhas loucuras
Esqueça minhas amarguras
Não ligue se eu bailar
Sozinha na sala de jantar
É só um rompante

Permita-me ainda
Só por um instante
Quando não me veres mais
Que as palavras que o vento traz
Quando encontra a tua janela
Façam sentido por alguns segundos
Para que então descubras
Que sou eu desejando-te sonhos fecundos

quarta-feira, 30 de março de 2011

O comunista debaixo da cama de Jair Bolsonaro

“- Se seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?

- Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja! Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados, e não viveram em um ambiente como lamentavelmente é o teu!”

*caso não saiba o contexto desse 'diálogo' entre Jair Bolsonaro e Preta Gil, clique aqui.


Não, o Excelentíssimo deputado Jair Bolsonaro não fez uma declaração racista. O problema desse aguerrido defensor da moral e dos bons costumes é ter um comunista debaixo da cama na qual dorme. Não é nenhuma insinuação contra a (santa) mulher do deputado. O problema é que a metáfora de Luís Fernando Veríssimo encaixa-se perfeitamente na situação, no que diz respeito ao comportamento desse perfeito exemplo da política brasileira. Além da reputação ilibada, esse herói possui uma perspicácia extraordinária contra intenções maliciosas e sedutoras!

“Tem sempre um comunista debaixo da cama”, diz o reacionário cidadão de bem do conto de Luís Fernando Veríssimo. E não é que o pavoroso vilão também povoa o pesadelo de Bolsonaro? Além de gostar muito de charutos e vestir verde, com o tempo, essa verdadeira entidade se sofisticou: personificou-se em uma cantora que apresenta programas sobre sexo em canal fechado, com o estrito fim de acabar com os valores da tradição, da ordem e da família. E se objetivo da malévola é, conforme sua perspicácia, insinuar uma sedução ao filho – casado - do Excelentíssimo, como ficar quieto? Ela precisa de uma lição! Vai ficar caladinha!

Precisamos, por fim, dar o devido valor ao homem que se proporia a ser executor de penas de morte até de graça, caso tal possibilidade fosse legalizada no Brasil; homem que tem como inspiração personalidades como Geisel, Médici e outras tantas figuras humanitárias.

E lembre sempre de olhar embaixo da cama antes de dormir e prestar atenção nas intenções maliciosas que povoam a mente de artistas libertinas. Nunca se sabe, nunca se sabe...





quinta-feira, 17 de março de 2011

Pas de Bourrée

Sabe o dia no qual tudo que você quer é dançar acompanhada? Nenhuma pirueta compensa. Nenhuma gargalhada provoca êxtase, nem a mais desesperada.

A mente ouve aquela melodia suave propositalmente temperada com testosterona. O peito tem que conter pequenas e doloridas explosões. Os passos da sua coreografia não fazem sentido. Cambaleia e cai. A Ausência é a única a aplaudir a tua performance.


domingo, 28 de novembro de 2010

A Vingança das Palavras


Que o próprio Fernando
Por qualquer um dos seus heterônimos
Nas noites de lua cheia
Deixe insones todos os poetas
Que condenam seus escritos às gavetas

Dorme, dorme, baby
Que a Clarisse vem te pegar
Sem epifania nem estrelas
Porque as palavras sumiram
Bem diante dos teus olhos
Não deves mais vê-las

E o menino em amor solitário
Que deixa sua musa no esquecimento
Deve ser condenado a muitos prazeres
Sufocados pelo medo

Nas esquinas, enquanto tu voltas para casa
Os postes de luz apagarão
E o ectoplasma do Augusto
Vai presentear-te com um grande escarro
Então serás obrigado a olhar
Para a quimera que se esconde
Na escuridão do teu próprio silêncio

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Nota sobre a Zona de Conforto

O agora é a morte das possibilidades. Faço uma escolha e contemplo condoída as outras probabilidades do que poderia ter sido desaparecerem diante dos meus olhos. Busco um refugio insano no futuro, e, como aquele ignorante gato do teorema quântico, torno-me um bizarro exemplo do que pode estar ao mesmo tempo vivo e morto.
Então, sou acordada pelo nem tão suave pulsar do meu sangue nas veias... É tão desconfortável ser demasiadamente humana! Descobrir que em certos momentos você tem que abandonar aquele mundinho tumultuado - mas seguro - que é a sua mente. Mas é só abandonando-o que pode-se dar um significado mais profundo à palavra humanidade. Nosso "eu" é moldado pelas relações com o mundo. Em outro sentido, o sentido do "você" tem existência exclusiva construída e reconstruída em nosso "eu".
E, para não nos perdermos nas aventuras das relações humanas basta - é tão fácil falar - nos deslocarmos do centro do nosso universo, fazendo o exercício de tentar entender o que está pensando e sentindo aquele que nos é (ou está) estranho. Existem dias nebulosos, quando simplesmente estou muito longe de ser coerente com o que defendo aqui. Mas, quando penso nos bons frutos que já colhi, vejo que vale a pena recomeçar.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Todos os sabores

Eu nunca quis ser doce, baby. Não se detenha a primeiras impressões. Tenho tantos sabores estranhos e já disse tantas palavras ácidas... Desculpe se ofendi o seu paladar.

Eu não carrego bandeiras e não busco qualquer status pois tenho fardos suficientes. Tudo pesa, mas só me resta uma pequena cruz sobre o peito. E ela me obriga a pedir perdão mesmo sem saber o porquê.

Não quero parecer distante. Só que certas recusas causam mais dor do que é suportável. E certas palavras t
ornam a vida cinza e até sombria. Então da-me sua mão se for do seu agrado. Ou seja um adversário leal. Eu aprendi que os dois são absolutamente necessários para tornar qualquer ser humano melhor.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Engasgo

Tropeço nas palavras
E não há lucidez que possa amparar a minha queda
Nem silêncio que me faça respirar

Uma cacofônica errante,
Desafinada insistente
Com uma mente caótica
E desesperança poética
Estou fruindo os signos
Esperando a hora
Em que as letras me façam flutuar

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Outsider

E o que está na raiz
do que não pertence?
Liberdade imanente
- Sem olhos para vigiar-te -
Ou solidão trancendente?

Entregue à própria sorte
Está o teu infinito particular,
Há tanto por compartilhar
Tua mente fervilha,
Arruinada em paradisíaca ilha

Arredio a estereótipos
- Um ermitão socrático -
Baila o outsider
Num ritmo cacofônico
Queres ficar anônimo
Ao som de uma idiossincrasia

Engoles a lágrima
Não és barro de só uma estrada
Não finja sentir saudade
És nativo de tolices veladas
E profetizas torpes verdades

Persona non grata, mesmo doce,
Ou estrangeiro íntimo
Sem um olhar cúmplice
Todos são ínfimos

Num insolente paradoxo
Costura-se a rima
Um jeito ortodoxo
De falar de uma sina

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Fardos

Leve-me a algum destino
Longe do lugar-comum

Que o cheiro do ônibus seja poesia
E a estadia seja breve

Leve
Que nenhuma gravidade possa agir sobre mim
Só não quero estar aqui e nem agora

Levo na bagagem duas lágrimas
Guardadas como um troféu bizarro

Venha comigo
Temo o silêncio
Que é má companhia

sábado, 7 de agosto de 2010

Tolices

Deixe o mofo e o escárnio
Chorarem por mim
Pois um mundo secreto
Canta odes ao fim
Enquanto componho um soneto com palavras tolas
Ainda assim, mal chego ao segundo verso
E ébria pelo meu próprio discurso
Espero receber as palavras, pois
Sociedades secretas conspiram
Especialmente ao meu favor
Com duas ou três profecias esdrúxulas
Enquanto muitos se curvam
A um pequeno instante de horror
Mas a ressonância Schulmman
Faz tudo parecer tão breve
Tranquilamente então escreve
Ingenuamente feliz
Até a noite em que sonha
Com a volta do Planeta X

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Palavras Entorpecentes

Sirva-me mais uma dose de ironia
Certas palavras já são suficientemente tóxicas
Assim minha cabeça languidamente se esvazia
E a decadência já me cai bem

Ao pôr-do-Sol, meu riso insano me detém
Envenenemo-nos pois
Com nossas intimidadades pérfidas
E teu humor fugaz
Com minha mente deteriorada
E nossa ausência de paz

*Inspirada em outros humores

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Viagem ao centro do ego

É tudo um louco desejo que afeta meu estômago
Ego incontrolável e resina tóxica que invade minhas veias
É tudo um umbigo querendo ser o centro do mundo
Louca nostalgia de morte

Raiva inverossímil
Quimera microscópica querendo debater-se
São seus últimos suspiros, assim espero

É tudo inconstante e imperfeito
Como se outrora houvesse sido expulsa do Paraíso

Tolice vã que afeta minha sanidade
Uma psiquê risivelmente equilibrada
Os paradigmas são tijolos claustrofóbicos
Mas sem eles tudo é fumaça

Perdida em um labirinto que leva ao centro
Sem acreditar em Teseu ou Minotauro
Pois a escuridão já basta para o desespero