quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Insaciável
Vontade de olhar no espelho e ver outra imagem. De olhar no espelho e não ter medo que a velha imagem volte. Que os velhos medos sintam saudade, batam na porta e queiram voltar mais uma vez.
Vontade de que o rosto diga tudo que a alma quer gargalhar e até chorar. Que o corpo não volte a ser uma mera formalidade incômoda. E a mente não seja refúgio.
Vontade de hipnotizar sorrindo, mesmo que tudo desmorone como um castelo de cartas (afinal a sedução é um jogo no qual o segredo é descobrir quais são as regras).
Vontade de inflamar mentes, mesmo que seja projeção. De voar livre, mesmo que o céu seja eterna promessa. Vontade de abrir o peito até para tomar tapas da vida.
Vontade de fitar outros olhos com tranquilidade, da fala sair despreocupada e sonora, dos pés voltarem a inventar o próprio chão.
sábado, 5 de novembro de 2011
Cigana Budista
De cigana budista
De respirar o deleite
Sem o peso da posse
Numa idiossincrasia selvagem
Vagueio em desertos escaldantes
Assombrada por rostos encantados
Desassossegos santos
E o meu suspiro é encontro
Com os sorissos desinteressados
E as inquietudes das mentes consumidas
Por procuras insanas
Caravanas de vida
Pra dividir as lágrimas
E acompanhar as danças
terça-feira, 13 de setembro de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
Substantivos Abstratos
domingo, 24 de julho de 2011
Um tom mais brilhante
Pérola descobriu tarde que fora feita para a noite. Não gostava de se entorpecer com a bebida, muito menos de fumar. Mas as companhias boêmias faziam-lhe todo o sentido. As tardes claras e mornas pareciam irreais depois de conversas noturnas intensas. Desenvolvera uma espécie de receio à luz do Sol. Ao mesmo tempo que a fumaça do cigarro dos amigos irritava-lhe a garganta, trazia as lembranças mais interessantes que havia tido até então. O cheiro do tabaco era uma espécie de provocação: no início, um exercício de paciência, depois de sublimação do olfato. Seu espírito poético acabou interpretando o odor que permanecia em seus cabelos após as noites como um sinal de que o êxtase era real, e não um sonho, porque imperfeito. E ela fugia das perfeições desde que descobrira-se protegida da vida por aqueles que mais amava: os avós que a criaram. Vivia sendo constantemente preservada, realizando seus estudos e orações com assiduidade, passeando à tarde nas praças e assistindo a filmes de romance. A fizeram acreditar que havia um momento certo pra tudo. Os avós, percebendo que era introvertida, certa vez falaram com um rapaz tímido, amigo da família, para namorá-la. Antes mesmo do menino se apresentar ela ouviu, meio sem querer, a conversa dos avós atrás da porta e se desagradou. Alguma coisa naquilo a frustrou, mas não sabia o que. Ela falou alto com os avós, pedindo para não fazerem aquilo. Os avós ficaram tristes. No dia seguinte Pérola fez macarrão no almoço e não se falou mais no assunto. Os sorrisos voltaram ao seu fluxo normal por um tempo.
Um tom mais leve
sábado, 16 de julho de 2011
Dialética da Vida
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Ao léu...
Entenda que aquela voz que me fazia querer tudo e ter medo de tudo aquietou. Agora me deixe desbravar o caminho de liberdade que encontrei de repente. Deixe que eu me fira e me cure. Fira-me e cure-me se eu permitir. Deixe-me viver meus êxtases e exautões aos pedaços. Quem sabe construo um mosaico colorido ao fim disso tudo.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Solidão Blasè
quarta-feira, 30 de março de 2011
O comunista debaixo da cama de Jair Bolsonaro
“- Se seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?
- Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja! Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados, e não viveram em um ambiente como lamentavelmente é o teu!”
*caso não saiba o contexto desse 'diálogo' entre Jair Bolsonaro e Preta Gil, clique aqui.
Não, o Excelentíssimo deputado Jair Bolsonaro não fez uma declaração racista. O problema desse aguerrido defensor da moral e dos bons costumes é ter um comunista debaixo da cama na qual dorme. Não é nenhuma insinuação contra a (santa) mulher do deputado. O problema é que a metáfora de Luís Fernando Veríssimo encaixa-se perfeitamente na situação, no que diz respeito ao comportamento desse perfeito exemplo da política brasileira. Além da reputação ilibada, esse herói possui uma perspicácia extraordinária contra intenções maliciosas e sedutoras!
“Tem sempre um comunista debaixo da cama”, diz o reacionário cidadão de bem do conto de Luís Fernando Veríssimo. E não é que o pavoroso vilão também povoa o pesadelo de Bolsonaro? Além de gostar muito de charutos e vestir verde, com o tempo, essa verdadeira entidade se sofisticou: personificou-se em uma cantora que apresenta programas sobre sexo em canal fechado, com o estrito fim de acabar com os valores da tradição, da ordem e da família. E se objetivo da malévola é, conforme sua perspicácia, insinuar uma sedução ao filho – casado - do Excelentíssimo, como ficar quieto? Ela precisa de uma lição! Vai ficar caladinha!
Precisamos, por fim, dar o devido valor ao homem que se proporia a ser executor de penas de morte até de graça, caso tal possibilidade fosse legalizada no Brasil; homem que tem como inspiração personalidades como Geisel, Médici e outras tantas figuras humanitárias.
E lembre sempre de olhar embaixo da cama antes de dormir e prestar atenção nas intenções maliciosas que povoam a mente de artistas libertinas. Nunca se sabe, nunca se sabe...
quinta-feira, 17 de março de 2011
Pas de Bourrée
Sabe o dia no qual tudo que você quer é dançar acompanhada? Nenhuma pirueta compensa. Nenhuma gargalhada provoca êxtase, nem a mais desesperada.
A mente ouve aquela melodia suave propositalmente temperada com testosterona. O peito tem que conter pequenas e doloridas explosões. Os passos da sua coreografia não fazem sentido. Cambaleia e cai. A Ausência é a única a aplaudir a tua performance.
domingo, 28 de novembro de 2010
A Vingança das Palavras
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Nota sobre a Zona de Conforto
O agora é a morte das possibilidades. Faço uma escolha e contemplo condoída as outras probabilidades do que poderia ter sido desaparecerem diante dos meus olhos. Busco um refugio insano no futuro, e, como aquele ignorante gato do teorema quântico, torno-me um bizarro exemplo do que pode estar ao mesmo tempo vivo e morto.Então, sou acordada pelo nem tão suave pulsar do meu sangue nas veias... É tão desconfortável ser demasiadamente humana! Descobrir que em certos momentos você tem que abandonar aquele mundinho tumultuado - mas seguro - que é a sua mente. Mas é só abandonando-o que pode-se dar um significado mais profundo à palavra humanidade. Nosso "eu" é moldado pelas relações com o mundo. Em outro sentido, o sentido do "você" tem existência exclusiva construída e reconstruída em nosso "eu".
E, para não nos perdermos nas aventuras das relações humanas basta - é tão fácil falar - nos deslocarmos do centro do nosso universo, fazendo o exercício de tentar entender o que está pensando e sentindo aquele que nos é (ou está) estranho. Existem dias nebulosos, quando simplesmente estou muito longe de ser coerente com o que defendo aqui. Mas, quando penso nos bons frutos que já colhi, vejo que vale a pena recomeçar.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Todos os sabores
Eu não carrego bandeiras e não busco qualquer status pois tenho fardos suficientes. Tudo pesa, mas só me resta uma pequena cruz sobre o peito. E ela me obriga a pedir perdão mesmo sem saber o porquê.
Não quero parecer distante. Só que certas recusas causam mais dor do que é suportável. E certas palavras tornam a vida cinza e até sombria. Então da-me sua mão se for do seu agrado. Ou seja um adversário leal. Eu aprendi que os dois são absolutamente necessários para tornar qualquer ser humano melhor.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Engasgo
E não há lucidez que possa amparar a minha queda
Nem silêncio que me faça respirar
Uma cacofônica errante,
Desafinada insistente
Com uma mente caótica
E desesperança poética
Estou fruindo os signos
Esperando a hora
Em que as letras me façam flutuar
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Outsider
do que não pertence?
Liberdade imanente
- Sem olhos para vigiar-te -
Ou solidão trancendente?
Entregue à própria sorte
Está o teu infinito particular,
Há tanto por compartilhar
Tua mente fervilha,
Arruinada em paradisíaca ilha
Arredio a estereótipos
- Um ermitão socrático -
Baila o outsider
Num ritmo cacofônico
Queres ficar anônimo
Ao som de uma idiossincrasia
Engoles a lágrima
Não és barro de só uma estrada
Não finja sentir saudade
És nativo de tolices veladas
E profetizas torpes verdades
Persona non grata, mesmo doce,
Ou estrangeiro íntimo
Sem um olhar cúmplice
Todos são ínfimos
Num insolente paradoxo
Costura-se a rima
Um jeito ortodoxo
De falar de uma sina
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Fardos
Longe do lugar-comum
Que o cheiro do ônibus seja poesia
E a estadia seja breve
Leve
Que nenhuma gravidade possa agir sobre mim
Só não quero estar aqui e nem agora
Levo na bagagem duas lágrimas
Guardadas como um troféu bizarro
Venha comigo
Temo o silêncio
Que é má companhia
sábado, 7 de agosto de 2010
Tolices
Chorarem por mim
Pois um mundo secreto
Canta odes ao fim
Enquanto componho um soneto com palavras tolas
Ainda assim, mal chego ao segundo verso
E ébria pelo meu próprio discurso
Espero receber as palavras, pois
Sociedades secretas conspiram
Especialmente ao meu favor
Com duas ou três profecias esdrúxulas
Enquanto muitos se curvam
A um pequeno instante de horror
Mas a ressonância Schulmman
Faz tudo parecer tão breve
Tranquilamente então escreve
Ingenuamente feliz
Até a noite em que sonha
Com a volta do Planeta X
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Palavras Entorpecentes
Certas palavras já são suficientemente tóxicas
Assim minha cabeça languidamente se esvazia
E a decadência já me cai bem
Ao pôr-do-Sol, meu riso insano me detém
Envenenemo-nos pois
Com nossas intimidadades pérfidas
E teu humor fugaz
Com minha mente deteriorada
E nossa ausência de paz
*Inspirada em outros humores
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Viagem ao centro do ego
Ego incontrolável e resina tóxica que invade minhas veias
É tudo um umbigo querendo ser o centro do mundo
Louca nostalgia de morte
Raiva inverossímil
Quimera microscópica querendo debater-se
São seus últimos suspiros, assim espero
É tudo inconstante e imperfeito
Como se outrora houvesse sido expulsa do Paraíso
Tolice vã que afeta minha sanidade
Uma psiquê risivelmente equilibrada
Os paradigmas são tijolos claustrofóbicos
Mas sem eles tudo é fumaça
Perdida em um labirinto que leva ao centro
Sem acreditar em Teseu ou Minotauro
Pois a escuridão já basta para o desespero