Primeiro ato: o convite para a festaCelebrem, todos os momentos
Em que viram o sorriso do meu rosto sumir
Celebrem a soberba, brindem
Ao orgulho travestido de humildade
Celebrem a mediocridade
Enquanto suas carnes apodrecem
Celebrem as próprias mágoas
Como se grandes vitórias fossem
Segundo ato: o banquete
Sentem-se, bebam o cálice
Cheio do meu sangue de criança tola
Celebrem o ápice
Da alegria
De seu sorriso maldoso
Fartem-se com a carne alheia,
Que sobrou na sola de seus pés pontiagudos,
Após um dia sendo justiceiros imundos
Terceiro ato: o fim da festa
De celebrar o que virá, não esqueçam:
A cova já se forma diante de vocês
Mas houve Vida em suas almas? Não!
Esse, pois, é o triunfo do divino
É o que me faz acreditar no Bem,
Na bondade humana e no olhar sem
Falsidades ou hipocrisias
É o que me faz não desistir da poesia,
Do olhar que é singelo e ardente
Do olhar pedinte
Não só de pão,
Mas de palavras
Que alentem a solidão