Leve e superficial
Como uma pena flutuando
Num esgoto pluvial
Rodeada pelos cacos
Das palavras não ditas
E tentada por palavras malditas
Resisto ao sorriso fácil
E ao difícil também
Pergunto estafada
Quando posso ir além
Mas eu sei que a resposta
Não vêm
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Ratazana psicodélica
Parte 1 – Acordo no meio da noite
Ratifico seres inóspitos. Mas pessoas desérticas me dão sede. Pensamentos de outros me invadem: são ausências sentidas por alguém que eu desconheço. A ratazana pára de perseguir o lixo, me olha nos olhos e pergunta por que me enquadro na categoria dos que sofrem pela história dos outros. Não me importo com tal questionamento, pois gosto de me afundar em palavras poéticas e isso carrega alguns pesos.
Parte 2 – As Conclusões
Tento, tento, tento,... Tonta, invadida pela vontade e não pela vitória, me indago se já quis realmente conseguir.
Passeio pelas ruas e observo a juventude que gesticula vitoriosa: hímem intacto! Mas seu olhar ébrio denuncia o medo de amar. Ratifico novamente. Sou mais uma imbecil na multidão de ogros que calçam sapato de bico fino. Vejo a ratazana na marquise de um prédio.
Parte 3 – O Início de Tudo
Estou esperando pelo ônibus que nunca virá. O mendigo conversa comigo enquanto o ônibus não chega. Sempre acho que falta pouco. O pobre bêbado é o único resto de lucidez que me sobrou.
Meia noite chega, eu a saúdo com um beijo, na testa. Espero pela resposta, limitada. O mendigo me convida para dormir em um pedaço de papelão. A marquise nos protegerá. E as náuseas que sinto me fazem vomitar flores. Logo virá alguém. A porta bate. Eu não atendo. Tenho medo.
Ratifico seres inóspitos. Mas pessoas desérticas me dão sede. Pensamentos de outros me invadem: são ausências sentidas por alguém que eu desconheço. A ratazana pára de perseguir o lixo, me olha nos olhos e pergunta por que me enquadro na categoria dos que sofrem pela história dos outros. Não me importo com tal questionamento, pois gosto de me afundar em palavras poéticas e isso carrega alguns pesos.
Parte 2 – As Conclusões
Tento, tento, tento,... Tonta, invadida pela vontade e não pela vitória, me indago se já quis realmente conseguir.
Passeio pelas ruas e observo a juventude que gesticula vitoriosa: hímem intacto! Mas seu olhar ébrio denuncia o medo de amar. Ratifico novamente. Sou mais uma imbecil na multidão de ogros que calçam sapato de bico fino. Vejo a ratazana na marquise de um prédio.
Parte 3 – O Início de Tudo
Estou esperando pelo ônibus que nunca virá. O mendigo conversa comigo enquanto o ônibus não chega. Sempre acho que falta pouco. O pobre bêbado é o único resto de lucidez que me sobrou.
Meia noite chega, eu a saúdo com um beijo, na testa. Espero pela resposta, limitada. O mendigo me convida para dormir em um pedaço de papelão. A marquise nos protegerá. E as náuseas que sinto me fazem vomitar flores. Logo virá alguém. A porta bate. Eu não atendo. Tenho medo.
Salve o poder da rosa cálida
A pútrida manhã que eu não vi
E o pôr-do-sol sem ressalvas
Hoje vou tentar outras coisas importantes
Sem querer acontece o que eu nunca quis
Juntei mil grãos de areia para contar o tempo
Uma junção de eternos absurdos inconstantes
E mitos derrubados
Lá vai ela
Circunstâncias emperram seus sorrisos
Pois enterrou algo no meio do caminho
E fingiu que chorava
Por que estava triste demais
Para ver a despedida do Sol
Fingia para si
Cheia de pudores
Mas a estrada estava vazia
A pútrida manhã que eu não vi
E o pôr-do-sol sem ressalvas
Hoje vou tentar outras coisas importantes
Sem querer acontece o que eu nunca quis
Juntei mil grãos de areia para contar o tempo
Uma junção de eternos absurdos inconstantes
E mitos derrubados
Lá vai ela
Circunstâncias emperram seus sorrisos
Pois enterrou algo no meio do caminho
E fingiu que chorava
Por que estava triste demais
Para ver a despedida do Sol
Fingia para si
Cheia de pudores
Mas a estrada estava vazia
Mil Homens em Um
Observei o seu tênis azul
Da mesma cor do meu juízo
Assim, agitado e impreciso
E os seus olhos sorridentes
Às vezes escondem na pupila
O que ninguém entende
E a sua boca atraente
E sua lembrança tão presente
Fazem-me concluir que
Você é a palavra certeira
A palavra-flecha
A palavra que me fere
E me alimenta
Você é o livro que eu quero folhar
Várias e várias vezes,
Entendendo aos pouquinhos
Você é livro precioso que eu tenho medo de rasgar
A fonte de sentimentos
Dos quais nunca beberei
Mas sou feliz por
Já conhecer as tuas palavras
(*Ás vezes o amor que uma pessoa sente por outra pode ser grande demais para ela mesma... isso não é melodrama...)
Da mesma cor do meu juízo
Assim, agitado e impreciso
E os seus olhos sorridentes
Às vezes escondem na pupila
O que ninguém entende
E a sua boca atraente
E sua lembrança tão presente
Fazem-me concluir que
Você é a palavra certeira
A palavra-flecha
A palavra que me fere
E me alimenta
Você é o livro que eu quero folhar
Várias e várias vezes,
Entendendo aos pouquinhos
Você é livro precioso que eu tenho medo de rasgar
A fonte de sentimentos
Dos quais nunca beberei
Mas sou feliz por
Já conhecer as tuas palavras
(*Ás vezes o amor que uma pessoa sente por outra pode ser grande demais para ela mesma... isso não é melodrama...)
sábado, 24 de março de 2007
Decapitação
Descubro as minhas ranhuras, entre brisas e vozes...
É o meu choro pelos sujos, pelos perdidos
E ainda acreditavas na tua própria inocência?
Investigas o juiz, o advogado e o réu
Pois são maltrapilhos mendigos bem-vestidos
Com a alma encouraçada
Não cogitas que
A verdade pode estar bem ao teu lado,
Dignamente mórbida e gentil?
Mas, tu insistes em descobrir
Uma mentira que cure as tuas feridas...
Isso não salvará o teu cerebelo
De ser rejeitado
Pelos vira-latas esfomeados e imundos
É o meu choro pelos sujos, pelos perdidos
E ainda acreditavas na tua própria inocência?
Investigas o juiz, o advogado e o réu
Pois são maltrapilhos mendigos bem-vestidos
Com a alma encouraçada
Não cogitas que
A verdade pode estar bem ao teu lado,
Dignamente mórbida e gentil?
Mas, tu insistes em descobrir
Uma mentira que cure as tuas feridas...
Isso não salvará o teu cerebelo
De ser rejeitado
Pelos vira-latas esfomeados e imundos
*Uma pequena experimentação NO além... huhahaha...
sexta-feira, 23 de março de 2007
Quarto escuro
Lá vai ela a dançar
No escuro, levita
A menina que evita
Sonhos bobos
Quer se esconder atrás
De palavras
Mas tem a cabeça povoada
De fantasias dançantes
No escuro, levita
A menina que evita
Sonhos bobos
Quer se esconder atrás
De palavras
Mas tem a cabeça povoada
De fantasias dançantes
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
sábado, 17 de fevereiro de 2007
Banquete dos hipócritas
Primeiro ato: o convite para a festa
Celebrem, todos os momentos
Em que viram o sorriso do meu rosto sumir
Celebrem a soberba, brindem
Ao orgulho travestido de humildade
Celebrem a mediocridade
Enquanto suas carnes apodrecem
Celebrem as próprias mágoas
Como se grandes vitórias fossem
Segundo ato: o banquete
Sentem-se, bebam o cálice
Cheio do meu sangue de criança tola
Celebrem o ápice
Da alegria
De seu sorriso maldoso
Fartem-se com a carne alheia,
Que sobrou na sola de seus pés pontiagudos,
Após um dia sendo justiceiros imundos
Terceiro ato: o fim da festa
De celebrar o que virá, não esqueçam:
A cova já se forma diante de vocês
Mas houve Vida em suas almas? Não!
Esse, pois, é o triunfo do divino
É o que me faz acreditar no Bem,
Na bondade humana e no olhar sem
Falsidades ou hipocrisias
É o que me faz não desistir da poesia,
Do olhar que é singelo e ardente
Do olhar pedinte
Não só de pão,
Mas de palavras
Que alentem a solidão
Celebrem, todos os momentos
Em que viram o sorriso do meu rosto sumir
Celebrem a soberba, brindem
Ao orgulho travestido de humildade
Celebrem a mediocridade
Enquanto suas carnes apodrecem
Celebrem as próprias mágoas
Como se grandes vitórias fossem
Segundo ato: o banquete
Sentem-se, bebam o cálice
Cheio do meu sangue de criança tola
Celebrem o ápice
Da alegria
De seu sorriso maldoso
Fartem-se com a carne alheia,
Que sobrou na sola de seus pés pontiagudos,
Após um dia sendo justiceiros imundos
Terceiro ato: o fim da festa
De celebrar o que virá, não esqueçam:
A cova já se forma diante de vocês
Mas houve Vida em suas almas? Não!
Esse, pois, é o triunfo do divino
É o que me faz acreditar no Bem,
Na bondade humana e no olhar sem
Falsidades ou hipocrisias
É o que me faz não desistir da poesia,
Do olhar que é singelo e ardente
Do olhar pedinte
Não só de pão,
Mas de palavras
Que alentem a solidão
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Espelho partido
São milhares de reflexos
Incompletos
Mas você se engana, se pensa que me vejo
Essas histórias não são minhas
Ou são?
Ela fez juízos
E você foi para o inferno
Porque quis
Ele cala quando pode dizer
Fala quando pode calar
E já ignora a sabedoria por completo
Há também fantasmas
Os que já viveram
Os que não nasceram
E os que escolheram
Simplesmente existir
O punho fechado
O coração escancarado
O ódio sem razão
Sentada, frustrada,
Assisto à vida
* Poesia fruto de um desabafo
fruto de um fim de ano conturbado
fruto de muita mágoa (não necessariamente minha)
fruto da mediocridade que existe no ser humano.
Que árvore podre!
Incompletos
Mas você se engana, se pensa que me vejo
Essas histórias não são minhas
Ou são?
Ela fez juízos
E você foi para o inferno
Porque quis
Ele cala quando pode dizer
Fala quando pode calar
E já ignora a sabedoria por completo
Há também fantasmas
Os que já viveram
Os que não nasceram
E os que escolheram
Simplesmente existir
O punho fechado
O coração escancarado
O ódio sem razão
Sentada, frustrada,
Assisto à vida
* Poesia fruto de um desabafo
fruto de um fim de ano conturbado
fruto de muita mágoa (não necessariamente minha)
fruto da mediocridade que existe no ser humano.
Que árvore podre!
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Uma pergunta
Penso, penso, penso...
E em tantos devaneios, caio sempre na mesma pergunta:
Como se fazer necessário ao outro
Respeitando-o?
E em tantos devaneios, caio sempre na mesma pergunta:
Como se fazer necessário ao outro
Respeitando-o?
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
Reminiscências – Parte 1
Eles se preparavam para viajar. Duas mulheres, uma menina e um menino. As crianças tinham pouco menos de cinco anos.
Estavam envoltos com a correria, as malas, o nervosismo. E as crianças, atrapalhando. Como naquele tempo a segurança ainda não estava caótica e eles estavam muito novos para se preocupar com qualquer coisa, os dois saíram sozinhos do segundo andar, um pouco antes das adultas da casa.
Quando estavam quase chegando ao térreo, ela olhou para os degraus que ainda faltavam. Foi tomada por um ímpeto de aventura, quem sabe movida pela vontade de realizar as proezas da She-Ra. Lembrem-se que para eles, aquela distância era umas três vezes a própria altura.
Ela desafiou o irmão a pular dois degraus de cada vez. Depois três. Ela parou por aí, com medo de se arrebentar. Ah! Mas vontade era tão forte, a imaginação consistente... Então, que ele realizasse o desejo dela, bastava provoca-lo, e nisso ela era eficiente...
- Duvido que você pule todos esses oito degraus!
- Mas é alto... – receou ele
- Está com medo! Duvido! Duvido!
E ele se preparou para o grande salto...
O coração (deles) batendo mais forte...
E ele foi...
... Dar com o nariz direto no chão! Ela ficou assustada. Não acreditava no que tinha se passado. Ele berrava de dor. Alguns segundos depois, chegaram as duas responsáveis. Tiraram-no do chão e o levaram de volta para o segundo andar, a fim de estancar o sangue. Ela nunca tinha visto tanto sangue sair do nariz de alguém. A mãe notou o que tinha se passado e lhe deu uma bronca muito branda. Ela teve certeza que excesso de entusiasmo poderia ser perigoso. Ele sentiu isso na própria carne.
Estavam envoltos com a correria, as malas, o nervosismo. E as crianças, atrapalhando. Como naquele tempo a segurança ainda não estava caótica e eles estavam muito novos para se preocupar com qualquer coisa, os dois saíram sozinhos do segundo andar, um pouco antes das adultas da casa.

Quando estavam quase chegando ao térreo, ela olhou para os degraus que ainda faltavam. Foi tomada por um ímpeto de aventura, quem sabe movida pela vontade de realizar as proezas da She-Ra. Lembrem-se que para eles, aquela distância era umas três vezes a própria altura.
Ela desafiou o irmão a pular dois degraus de cada vez. Depois três. Ela parou por aí, com medo de se arrebentar. Ah! Mas vontade era tão forte, a imaginação consistente... Então, que ele realizasse o desejo dela, bastava provoca-lo, e nisso ela era eficiente...
- Duvido que você pule todos esses oito degraus!
- Mas é alto... – receou ele
- Está com medo! Duvido! Duvido!
E ele se preparou para o grande salto...
O coração (deles) batendo mais forte...
E ele foi...
... Dar com o nariz direto no chão! Ela ficou assustada. Não acreditava no que tinha se passado. Ele berrava de dor. Alguns segundos depois, chegaram as duas responsáveis. Tiraram-no do chão e o levaram de volta para o segundo andar, a fim de estancar o sangue. Ela nunca tinha visto tanto sangue sair do nariz de alguém. A mãe notou o que tinha se passado e lhe deu uma bronca muito branda. Ela teve certeza que excesso de entusiasmo poderia ser perigoso. Ele sentiu isso na própria carne.
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
Meus desassossegos sentaram na varanda, pra matear saudades... E até agora eles não voltaram... Eu estou aqui dentro, tentando me livrar do meu mais novo vício cibernético, e eles, na varanda... Sem eles estou estranha, mas que fiquem por lá mesmo... Eu aceito ser mais leve, mas, Deus! Que seja para melhor!
terça-feira, 31 de outubro de 2006
Geografia bucólica
Desce a Lua, e sinto olhares a me rondar
Será que é o reflexo
das águas de algum lago onírico?
Ou tu és um peixe que me fita na escuridão dessas águas?
Por vezes deixo que a solidão do vale me domine
Por vezes busco a paz de uma montanha
Por vezes desejo ser como as brasas amainadas de um vulcão:
Fazer mais fortes os frutos da terra
E quando estou tão senhora de mim percebo que
Quero estar naquele trigal verdejante que
contemplo à distância,
tão palpável,
mas tão longe
O que seria da vida se existissem só as planícies?
Pergunto pois quero conhecer as profundezas do teu mar
Ah, mas as pedras tem inveja do meu coração, que as vezes é tomado
por uma certa tristeza,
Por um certo marasmo
Aí vem os terremotos
que maldizem o tédio
E eu me lembro que
Caminhar já é bom
Mas queria ter sempre o Sol
Por companheiro
Perdão por deixar que, em certos momentos,
as falhas prevaleçam na paisagem...
Te ofereço as flores que plantei,
para que as cultives, e não arranques
Mas, qual será tua resposta? Estarás na planície ou no pântano?
Será que é o reflexo
das águas de algum lago onírico?
Ou tu és um peixe que me fita na escuridão dessas águas?
Por vezes deixo que a solidão do vale me domine
Por vezes busco a paz de uma montanha
Por vezes desejo ser como as brasas amainadas de um vulcão:
Fazer mais fortes os frutos da terra
E quando estou tão senhora de mim percebo que
Quero estar naquele trigal verdejante que
contemplo à distância,
tão palpável,
mas tão longe
O que seria da vida se existissem só as planícies?
Pergunto pois quero conhecer as profundezas do teu mar
Ah, mas as pedras tem inveja do meu coração, que as vezes é tomado
por uma certa tristeza,
Por um certo marasmo
Aí vem os terremotos
que maldizem o tédio
E eu me lembro que
Caminhar já é bom
Mas queria ter sempre o Sol
Por companheiro
Perdão por deixar que, em certos momentos,
as falhas prevaleçam na paisagem...
Te ofereço as flores que plantei,
para que as cultives, e não arranques
Mas, qual será tua resposta? Estarás na planície ou no pântano?
sexta-feira, 20 de outubro de 2006
O inferno são os outros?
Aviso aos navegantes:Post desabafo. Mais um. Já começo concluindo... Agora vamos ao início: o que me motivou a escrever isto: encantam-me varias coisas no universo da linguagem, que vão desde o pensamento lógico e reflexivo até as emoções humanas, desde as mais sublimes até as barbaridades que se pode cometer quando a razão já está fraca. Ou seja, toda interioridade do ser humano que pode ser expressa. Mas, a interioridade só pode ser expressa com exteriorizações. Então, volto mais um pouco, no tempo e para dentro: é consenso que o que mais satisfaz o indivíduo na escolha da profissão é o que esta de acordo com os anseios de seu temperamento, em seu ego, seu self e outros aspectos psicológicos interessantes. A escolha baseada quase que puramente no retorno financeiro, nem vou comentar muito. Eu acho que só seria justificável se alguém escolhesse a profissão com base em querer dar o melhor tipo de vida para a FAMÍLIA.
Considerando-se os aspectos mais subjetivos, a sociedade (ou o aspecto mais infernal dos outros, como poderiam dizer os existencialistas) parece avaliar que, no que tange ao individuo a persona dos outros é algo estático. Exemplo: quando mais nova, eu era tremendamente envergonhada, tímida, e com uma tendência perigosa a reprimir os sentimentos. Na escola gostava muito de agradar os professores, e me aproximava de alguém estritamente quando convidada. Não era CDF, e sim concentrava uns 98% das minhas forças nos conteúdos escolares. Lidar com a multidão não me deixava nervosa, e sim MORTIFICADA. Bom, para não acharem que era uma situação ruim: desde cedo me deliciei com a literatura, era extremamente dócil, e bem puritana.
Pergunta: Como uma criatura dessas, no caso eu, está fazendo Comunicação Social? Principalmente por dois motivos. Primeiro, por natureza, me importam muito coisas como o motivo de eu estar aqui neste mundo louco, e como o que eu faço pode interferir na sociedade positivamente. Segundo, a timidez, em certas facetas, está perdendo cada vez mais espaço na cultura. Ou seja, o tímido tradicional terá cada vez menos espaço em qualquer área. Terceiro, no fundo, gosto de causar polemica, he he he...
No decorrer de tudo isso, vou tropeçando na fluência das palavras como um bebezinho tropeça para andar, as evoluções são lentas, mas acredito nelas. Acredito principalmente porque sei que o medo não será eterno, que os outros só são inferno se eu quiser. E, a vaidade pode ser estar disfarçada de aparente excesso de humildade.
Texto inspirador....
CARTA AOS TÍMIDOS
Crônica de Luiz Fernando Veríssimo publicado na revista Época, 29/03/04
Tente se convencer de que você não é o alvo de todos os olhares e de todas as expectativas de vexame quando entra em qualquer recinto. No fundo, a timidez é uma forma extrema de vaidade, pois é a certeza de que, onde o tímido estiver, ele é o centro das atenções, o que torna quase inevitável que errará a cadeira e sentará no chão, ou no colo da anfitriã. Convença-se: o mundo não está só esperando para ver qual é a próxima que você vai aprontar. E mire-se no meu exemplo. Depois que aposentei a correntinha e (suspiro) perdi o topete, namorei, procriei, fiz amigos, vivi e hoje até faço palestras, ou coisas bem parecidas. Mesmo com o secreto e permanente desejo, é verdade, de estar quieto em casa.
Considerando-se os aspectos mais subjetivos, a sociedade (ou o aspecto mais infernal dos outros, como poderiam dizer os existencialistas) parece avaliar que, no que tange ao individuo a persona dos outros é algo estático. Exemplo: quando mais nova, eu era tremendamente envergonhada, tímida, e com uma tendência perigosa a reprimir os sentimentos. Na escola gostava muito de agradar os professores, e me aproximava de alguém estritamente quando convidada. Não era CDF, e sim concentrava uns 98% das minhas forças nos conteúdos escolares. Lidar com a multidão não me deixava nervosa, e sim MORTIFICADA. Bom, para não acharem que era uma situação ruim: desde cedo me deliciei com a literatura, era extremamente dócil, e bem puritana.
Pergunta: Como uma criatura dessas, no caso eu, está fazendo Comunicação Social? Principalmente por dois motivos. Primeiro, por natureza, me importam muito coisas como o motivo de eu estar aqui neste mundo louco, e como o que eu faço pode interferir na sociedade positivamente. Segundo, a timidez, em certas facetas, está perdendo cada vez mais espaço na cultura. Ou seja, o tímido tradicional terá cada vez menos espaço em qualquer área. Terceiro, no fundo, gosto de causar polemica, he he he...
No decorrer de tudo isso, vou tropeçando na fluência das palavras como um bebezinho tropeça para andar, as evoluções são lentas, mas acredito nelas. Acredito principalmente porque sei que o medo não será eterno, que os outros só são inferno se eu quiser. E, a vaidade pode ser estar disfarçada de aparente excesso de humildade.
Texto inspirador....
CARTA AOS TÍMIDOS
Crônica de Luiz Fernando Veríssimo publicado na revista Época, 29/03/04
Tente se convencer de que você não é o alvo de todos os olhares e de todas as expectativas de vexame quando entra em qualquer recinto. No fundo, a timidez é uma forma extrema de vaidade, pois é a certeza de que, onde o tímido estiver, ele é o centro das atenções, o que torna quase inevitável que errará a cadeira e sentará no chão, ou no colo da anfitriã. Convença-se: o mundo não está só esperando para ver qual é a próxima que você vai aprontar. E mire-se no meu exemplo. Depois que aposentei a correntinha e (suspiro) perdi o topete, namorei, procriei, fiz amigos, vivi e hoje até faço palestras, ou coisas bem parecidas. Mesmo com o secreto e permanente desejo, é verdade, de estar quieto em casa.
quinta-feira, 19 de outubro de 2006
quinta-feira, 5 de outubro de 2006
Falta-me a imprudência dos amantes
Falta-me a imprudência dos amantes
Que em universos peculiares voam errantes
Que em momentos roubados ganham mais brilho
Na alma carregada de volúpia, calor e ascensão
Falta-me a imprudência de quem ama, que
Atingido por sublime chama
Não vê os percalços mesquinhos a espreitar
Nem lhe mortifica o perigo de tão intrincado labirinto
Como se o amor fosse o pólo magnético de todos os insanos
Falta-me a imprudência do desejo ardente
Da cumplicidade que, de repente
Se atinge com os desejos límpidos
(Poesia que brotou no início deste ano e só agora floresceu. Mas, será que dará frutos?).
Que em universos peculiares voam errantes
Que em momentos roubados ganham mais brilho
Na alma carregada de volúpia, calor e ascensão
Falta-me a imprudência de quem ama, que
Atingido por sublime chama
Não vê os percalços mesquinhos a espreitar
Nem lhe mortifica o perigo de tão intrincado labirinto
Como se o amor fosse o pólo magnético de todos os insanos
Falta-me a imprudência do desejo ardente
Da cumplicidade que, de repente
Se atinge com os desejos límpidos
(Poesia que brotou no início deste ano e só agora floresceu. Mas, será que dará frutos?).
sábado, 9 de setembro de 2006
Anátema
Quero distender o tempo
E quero um poema insano
Que busque o que há de melhor em ti
Tantas ruínas dos relógios opressores
Mesmo que não marquem horas
São quimeras imensas, capitalistas
Liberdade!
Ora, não é tão simples a liberdade!
Tantos preferem pôr um relógio no pulso
Muitos mais na alma
Não confiam na sabedoria do tempo
Quanto a mim,
Sou jovem
E não chego na hora
Desrespeito a cerimônia
Porque cansei, simplesmente cansei
Mas respeito o mestre, tenha certeza
Ensina-me o teu tempo
E estarei na estação de malas prontas
Antes do teu trem partir
(Um desabafo meio dadaísta)
E quero um poema insano
Que busque o que há de melhor em ti
Tantas ruínas dos relógios opressores
Mesmo que não marquem horas
São quimeras imensas, capitalistas
Liberdade!
Ora, não é tão simples a liberdade!
Tantos preferem pôr um relógio no pulso
Muitos mais na alma
Não confiam na sabedoria do tempo
Quanto a mim,
Sou jovem
E não chego na hora
Desrespeito a cerimônia
Porque cansei, simplesmente cansei
Mas respeito o mestre, tenha certeza
Ensina-me o teu tempo
E estarei na estação de malas prontas
Antes do teu trem partir
(Um desabafo meio dadaísta)
sexta-feira, 1 de setembro de 2006
Gracioso e firme
Mortificam-me as tuas piruetas, oh bailarino!
Rodas pelo tempo, como quem o vencesse
Lembras-me um tempo em que eu vencia
mas, o que mesmo?
Teu rosto rude agora não é mais algo indiferente
Quero teus movimentos perfeitos
Quero tuas fibras musculares
Prepara-me um espetáculo
Não é só tu quem quer gritar!
E eu te retribuo com amor
Leva-me na tua dança tão sensata
Mas abandona o teu cigarro por que chamas, já bastam as minhas
Deixa-me insone, para ver teu corpo se movimentando livre
E não tenha pena do meu corpo que insiste em não sair do chão
Por mais que as palavras tentem te alcançar
Nos saltos intermináveis
Basta-me ver-te
E somente isso é suficiente
(Inspirado no filme O Sol da Meia-Noite)
Rodas pelo tempo, como quem o vencesse
Lembras-me um tempo em que eu vencia
mas, o que mesmo?
Teu rosto rude agora não é mais algo indiferente
Quero teus movimentos perfeitos
Quero tuas fibras musculares
Prepara-me um espetáculo
Não é só tu quem quer gritar!
E eu te retribuo com amor
Leva-me na tua dança tão sensata
Mas abandona o teu cigarro por que chamas, já bastam as minhas
Deixa-me insone, para ver teu corpo se movimentando livre
E não tenha pena do meu corpo que insiste em não sair do chão
Por mais que as palavras tentem te alcançar
Nos saltos intermináveis
Basta-me ver-te
E somente isso é suficiente
(Inspirado no filme O Sol da Meia-Noite)
Don Juan imaginário
Sob o fogo daqueles dias
Tu não falas nem pias
Aqueles dias de gloria
Tínhamos nas mãos a vitória
Homem malandro que chega
Mulher certinha que sai
E ela se aconchega
Certinha, não, não vai!
E a rua continua crua
Só para os desavisados
E a rua que foi platéia
Dos encontros mal-amados
Daquilo que é de mau agrado
A noite que acaba
Ele sai e desaba
Numa mesa qualquer
De algum bar vagabundo
Saindo ai pelo mundo, ele vai
(Esse eu gosto de reler em certos momentos, não sei por que motivo. É de 2001)
Tu não falas nem pias
Aqueles dias de gloria
Tínhamos nas mãos a vitória
Homem malandro que chega
Mulher certinha que sai
E ela se aconchega
Certinha, não, não vai!
E a rua continua crua
Só para os desavisados
E a rua que foi platéia
Dos encontros mal-amados
Daquilo que é de mau agrado
A noite que acaba
Ele sai e desaba
Numa mesa qualquer
De algum bar vagabundo
Saindo ai pelo mundo, ele vai
(Esse eu gosto de reler em certos momentos, não sei por que motivo. É de 2001)
quinta-feira, 31 de agosto de 2006
Divagar devagar
Talvez teu sonho esteja vagando para alimentar outras almas irrequietas
Na noite sem fim, dos nossos dias que virão
Talvez o meu desconforto se perca e assim eu ganhe uma ou outra hora de paz
Talvez o meu passado seja um mero detalhe
Mas é tão difícil crer!
E eu me pergunto, só me pergunto
Vem do fundo da alma
Nem explicar com palavras eu sei
Peço o olhar dos que tem a amizade no coração
E ganho atenção carinhosa
Mas o silêncio e a fuga parecem matar-me
Para uma nova vida que encerra o quarto escuro no qual vou remoendo
As minhas lembranças
Ah! Paixão leviana escapou-me entre os dedos! Será?
Meu corpo se consola sem abraços
Por onde trilho o caminho que leva para a luz verdadeira?
Por que às vezes me sinto um completo arremedo de mim
A sugar o leite como um lactente que não sabe dos dias tristes
Mas com um ar de fatalidade
Hoje quis mostrar a minha raiva
Olha! O sangue corre nas minhas veias!
Só engoli o fel das incompetências quotidianas
Do tal destino, que antes parecia obra total Dele
Mas é erro meu
E os ideais, tão longe!
O que mais quero agora, é um bom fim para a estória
(Será isso inspiração?)
Na noite sem fim, dos nossos dias que virão
Talvez o meu desconforto se perca e assim eu ganhe uma ou outra hora de paz
Talvez o meu passado seja um mero detalhe
Mas é tão difícil crer!
E eu me pergunto, só me pergunto
Vem do fundo da alma
Nem explicar com palavras eu sei
Peço o olhar dos que tem a amizade no coração
E ganho atenção carinhosa
Mas o silêncio e a fuga parecem matar-me
Para uma nova vida que encerra o quarto escuro no qual vou remoendo
As minhas lembranças
Ah! Paixão leviana escapou-me entre os dedos! Será?
Meu corpo se consola sem abraços
Por onde trilho o caminho que leva para a luz verdadeira?
Por que às vezes me sinto um completo arremedo de mim
A sugar o leite como um lactente que não sabe dos dias tristes
Mas com um ar de fatalidade
Hoje quis mostrar a minha raiva
Olha! O sangue corre nas minhas veias!
Só engoli o fel das incompetências quotidianas
Do tal destino, que antes parecia obra total Dele
Mas é erro meu
E os ideais, tão longe!
O que mais quero agora, é um bom fim para a estória
(Será isso inspiração?)
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