quinta-feira, 15 de maio de 2008
As palavras de uma lágrima
Um reflexo na água
Vã acaso da lucidez
Uma toca escura
E só vejo fantasmas
Não tenho pouso nem casa
Não tenho armas nem espinhos
Não construi
Sem rota, sem rumo
Pelo que vale a pena morrer?
O destino será mesmo não pertencer?
Meus caminhos são percalços
Rotas fugitivas de emergência
Discórdia interior
Ante a Omniciência
Cansei de perder
Cansei de notar
Detalhes tristes
Não tenho paz
quinta-feira, 24 de abril de 2008
O frágil chão em que piso.
A Verdade! Contemplá-la como amiga é motivo para um sorriso, apesar de ela estar muito além do nosso conhecimento. Trata-se de uma busca: é como engatinharmos cegos por um caminho estreito e firme, enquanto o resto é pântano. Você sente que analisar as coisas a sua volta buscando pela essência delas é uma forma de colher bons frutos no futuro. As mentiras criam ilhas, as verdades (que são as raízes da árvore da Verdade) criam pontes.
E quando as pessoas que você ama têm ilusões e preconceitos que não querem largar? E se sufocam os outros por isso?
Sempre há mais pessoas envolvidas. Nem que sejam fantasmas: as lembranças que assombram. E você entende os todos os lados o suficiente para não se sentir uma pessoas eternamente perseguida pelo mundo. Mas, ao tentarmos agir, devemos levar em conta como tudo (ou o conjunto das pessoas envolvidas) se JUSTIfica. Se o problema é muito grande, quem tem uma visão panorâmica o suficiente para não deixar escapar nenhum detalhe, para não errar feio em nenhuma projeção? Eu estou muito longe disso, longe o suficiente de poder enxergar e sentir quando piso num mar de lama, numa areia movediça. Só no momento em que a coisa começa a alcançar o meu pescoço eu acordo. Sem saber o que fazer.
domingo, 20 de abril de 2008
Não há pedra sobre pedra
Veste a armadura
Seu medo morreu?
Não há mais brilho no olhar
Busca sem esperança
Seu sorriso se perdeu
Guerreiro das ruas
Todos sofrimentos ocultam-se
Sobre uma cortina-de-fumaça
Soldado de ferro
Que no fundo é
Um menino sozinho
Guerreiro das ruas
Sentimentos difíceis de enfrentar
E com uma faca ele quer ocultar
A sobriedade é dolorosa
A verdade causa raiva
São dores sem vazão
Guerreiro das ruas
Eternamente perseguido
A ser homem tem aprendido
Não reflete, obedece
Seus bons instintos desvanecem
Ninguém confia mais em você?
Guerreiro das ruas
É difícil voltar
Descobriu muitas coisas
Não há dúvidas?
Só más certezas?
Dolorosos desprezos?
Guerreiro sem pátria
Foge por ruas obscuras
Mas não encontra o que procura
Deixo o fim para você
Estou aqui para ouvi-lo
Mas o primeiro passo é seu
terça-feira, 15 de abril de 2008
O ponto de vista do pensamento
- Quem és tu?
- Aquele barco navegando sem vela e sem bússola.
- Quem és tu?
- Um universo de possibilidades. Sou as sombras que nos rodeiam.
- Quem és tu?
- Filha de Deus, eu espero.
- Quem és tu?
- Sou uma lembrança de ti – disse, triste, pois um devaneio não fica contente em ser descoberto.
domingo, 30 de março de 2008
Sobre o porquê eu não gosto de 'coisinhas meigas'.
De que adianta reclamar contra a banalização? Nos entusiasmamos, choramos. Alguns até cerram os punhos e acham que vão mudar o mundo. E nem sequer mudam a si.
Banalizamos os sentimentos definições, as palavras, as atitudes. Anestesiamo-nos. E temos uma terrível tendência a seguir padrões. Abomino tal massificação, mas às vezes não tenho força para nadar contra a correnteza.
Palavras são sintomáticas. Quanto mais específicas e variadas, maior a possibilidade de nos fazermos entender. Quanto mais ampliado é o seu sentido, mais perigos se escondem.
O caso mais clássico?
(Dou só uma chance!)
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.
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Amor.
O comércio absorveu o amor. Há uma absoluta indefinição entre intenções e ações. Amor virou conforto.
A conveniência absorveu o amor. Beijo e abraço viraram obrigações sociais. O sorriso virou armadura. Amor virou medo.
O imediatismo absorveu o amor. Trocamos o amor-mito pelo amor-em-cada-esquina. Amor virou entorpecente.
Os gregos
A auto-ajuda é questionável em muitos pontos. Mas creio que há livros que se salvam da pieguice. Li "O Monge e o Executivo", que trata da essência da liderança. O estilo de texto é regular, porém muitos conteúdos valem ser aprendidos ou relembrados.
Uma das felizes colocações é sobre as definições gregas que definem a tal palavra tão banalizada.
O fundo é religioso, mas o alcance é universal.
Eros,
Storgé,
Philos,
Ágape.
Não mencionado: epithymia. É o desejo sexual propriamente dito, enquanto eros é o ato de enamorar-se.
Cada um desses "amores" merece livros inteiros. Mas, irei me deter ao ágape.
A escolha correta e justa. Sem passividade, sem ingenuidade. Com profundidade. A capacidade de saber controlar os sentimentos ruins e vencê-los.
Ágape é atitude. Parte da convicção que "O ser humano se torna eu pela relação com o você. À medida que me torno eu, digo você. Todo viver real é encontro" (Martin Buber).
Palavras são sintomáticas. Precisamos de palavras cítricas. Palavras amargas. Gostos exóticos. Precisamos de odores. De choques de realidades.
È por isso que eu gosto de poemas de amor que não mencionem ou quase não mencionem a tal palavrinha.
No fundo eu sou uma subversiva.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Cinema Paradiso
Anotei algumas frases que marcaram um dos melhores filmes que eu já assisti. Coloquei-as aqui com o intuito de mantê-las vivas na minha memória. E também para provocar a curiosidade de quem ainda não assistiu à história da linda amizade entre Alfredo e Salvattore, o Totó.
“Escolho amigos pelo aspecto e inimigos pela inteligência. E você é inteligente demais para ser meu amigo”.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Reflexões para o 21º ano
Eu não encontro as palavras certas
Elas escorrem por entre minhas mãos
Onde as esqueci?
Eu fugi das palavras fortes
As palavras que revelam
Quadros ocultos e frustrantes
Pois minhas mãos enfraqueceram
Paralisei-me perante os meus sonhos
Pensando que sou o que planejo
No escuro do quarto
Encontro a paz
Convidada a dormir um sono eterno
Desejosa de momentos infinitos
E percepções novas
Derrubei os altares
Que eu mesma ergui
Mas esqueci
Do grande Senhor Medo
Que as palavras escondidas
Não se tornem fantasmas
Que a culpa só se manifeste
Em doses homeopáticas
E que a felicidade esteja sempre
Acompanhada do ímpeto de ser feliz
domingo, 16 de setembro de 2007
Terra prometida
- Será mesmo? – a resposta dela me fez acordar.
A sensação que tive ao visitar a terra onde nasci após um longo tempo fora é a de acordar de um sonho bom. O tempo imprime uma decadência familiar a tudo, e é por isso que podemos reviver as nossas lembranças ao olhar para um portão enferrujado ou para uma vida que se deteriora. Despedi-me. Percorri a rua na mais consoladora solidão, em busca de uma história que faz parte da minha.
Cheguei ao meu destino. Vim visitar a ausência que toma conta de uma casa em especial. Encontrei dois olhares que me pediam um pouco de atenção. Foi tudo tão estranho! O vazio parecia ser mais real do que aqueles dois seres que vi.
O olhar dela era Nostalgia. Sentia falta de outros tempos, de outros risos. Ora ela me perguntava sobre minha vida, ora chorava, ora ria. Poucas vezes me encarava. Como diria a canção, nada é mais triste neste mundo louco do que matear com a ausência de quem já se foi.
O olhar dele era Incógnita. Ás vezes ele pedia carinho. A insistência dele em me fitar perturbou-me. Será que ele queria saber o que estava acontecendo? Ou queria me confidenciar algo? Depois daquele olhar, há de se refletir sobre a sabedoria. A sabedoria dos cães.
Despeço-me pensando na terra prometida que só existe nas minhas lembranças. A terra que para uns é o Céu e para outros é inferno.
(*Esse texto estava martelando na minha cabeça... Só agora tive coragem de escrevê-lo...)
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Vícios ou virtudes
Ela lavará a poeira
Que se forma sobre os teus ideais
Não temas o vento
Ele desfará as teias
Que as aranhas tecem na tua cabeça
Não temas a noite
Pois os morcegos
Não se alimentam das tuas misérias
Espirituais
* Comecei ter a inspiração para esse poema no dia 05/02/07, na fila do banco... È outro poema que ficou no meu arquivo...
Aqui não chove
O outro na experiência
No fim
Sou a metade de nada
Eu sou muitas gotas dispersas
Muitos desejos submersos
Eu sou a poça da água em que tu pisou
Mas estou rasa
Porque aqui não chove
Estou preguiçosa
Porque aqui não choro
Estou em paz
Só porque deixei pra lá
* Um poema que estava meio perdido no arquivo
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Momento
Como uma pena flutuando
Num esgoto pluvial
Rodeada pelos cacos
Das palavras não ditas
E tentada por palavras malditas
Resisto ao sorriso fácil
E ao difícil também
Pergunto estafada
Quando posso ir além
Mas eu sei que a resposta
Não vêm
Ratazana psicodélica
Ratifico seres inóspitos. Mas pessoas desérticas me dão sede. Pensamentos de outros me invadem: são ausências sentidas por alguém que eu desconheço. A ratazana pára de perseguir o lixo, me olha nos olhos e pergunta por que me enquadro na categoria dos que sofrem pela história dos outros. Não me importo com tal questionamento, pois gosto de me afundar em palavras poéticas e isso carrega alguns pesos.
Parte 2 – As Conclusões
Tento, tento, tento,... Tonta, invadida pela vontade e não pela vitória, me indago se já quis realmente conseguir.
Passeio pelas ruas e observo a juventude que gesticula vitoriosa: hímem intacto! Mas seu olhar ébrio denuncia o medo de amar. Ratifico novamente. Sou mais uma imbecil na multidão de ogros que calçam sapato de bico fino. Vejo a ratazana na marquise de um prédio.
Parte 3 – O Início de Tudo
Estou esperando pelo ônibus que nunca virá. O mendigo conversa comigo enquanto o ônibus não chega. Sempre acho que falta pouco. O pobre bêbado é o único resto de lucidez que me sobrou.
Meia noite chega, eu a saúdo com um beijo, na testa. Espero pela resposta, limitada. O mendigo me convida para dormir em um pedaço de papelão. A marquise nos protegerá. E as náuseas que sinto me fazem vomitar flores. Logo virá alguém. A porta bate. Eu não atendo. Tenho medo.
A pútrida manhã que eu não vi
E o pôr-do-sol sem ressalvas
Hoje vou tentar outras coisas importantes
Sem querer acontece o que eu nunca quis
Juntei mil grãos de areia para contar o tempo
Uma junção de eternos absurdos inconstantes
E mitos derrubados
Lá vai ela
Circunstâncias emperram seus sorrisos
Pois enterrou algo no meio do caminho
E fingiu que chorava
Por que estava triste demais
Para ver a despedida do Sol
Fingia para si
Cheia de pudores
Mas a estrada estava vazia
Mil Homens em Um
Da mesma cor do meu juízo
Assim, agitado e impreciso
E os seus olhos sorridentes
Às vezes escondem na pupila
O que ninguém entende
E a sua boca atraente
E sua lembrança tão presente
Fazem-me concluir que
Você é a palavra certeira
A palavra-flecha
A palavra que me fere
E me alimenta
Você é o livro que eu quero folhar
Várias e várias vezes,
Entendendo aos pouquinhos
Você é livro precioso que eu tenho medo de rasgar
A fonte de sentimentos
Dos quais nunca beberei
Mas sou feliz por
Já conhecer as tuas palavras
(*Ás vezes o amor que uma pessoa sente por outra pode ser grande demais para ela mesma... isso não é melodrama...)
sábado, 24 de março de 2007
Decapitação
É o meu choro pelos sujos, pelos perdidos
E ainda acreditavas na tua própria inocência?
Investigas o juiz, o advogado e o réu
Pois são maltrapilhos mendigos bem-vestidos
Com a alma encouraçada
Não cogitas que
A verdade pode estar bem ao teu lado,
Dignamente mórbida e gentil?
Mas, tu insistes em descobrir
Uma mentira que cure as tuas feridas...
Isso não salvará o teu cerebelo
De ser rejeitado
Pelos vira-latas esfomeados e imundos
sexta-feira, 23 de março de 2007
Quarto escuro
No escuro, levita
A menina que evita
Sonhos bobos
Quer se esconder atrás
De palavras
Mas tem a cabeça povoada
De fantasias dançantes
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
sábado, 17 de fevereiro de 2007
Banquete dos hipócritas
Celebrem, todos os momentos
Em que viram o sorriso do meu rosto sumir
Celebrem a soberba, brindem
Ao orgulho travestido de humildade
Celebrem a mediocridade
Enquanto suas carnes apodrecem
Celebrem as próprias mágoas
Como se grandes vitórias fossem
Segundo ato: o banquete
Sentem-se, bebam o cálice
Cheio do meu sangue de criança tola
Celebrem o ápice
Da alegria
De seu sorriso maldoso
Fartem-se com a carne alheia,
Que sobrou na sola de seus pés pontiagudos,
Após um dia sendo justiceiros imundos
Terceiro ato: o fim da festa
De celebrar o que virá, não esqueçam:
A cova já se forma diante de vocês
Mas houve Vida em suas almas? Não!
Esse, pois, é o triunfo do divino
É o que me faz acreditar no Bem,
Na bondade humana e no olhar sem
Falsidades ou hipocrisias
É o que me faz não desistir da poesia,
Do olhar que é singelo e ardente
Do olhar pedinte
Não só de pão,
Mas de palavras
Que alentem a solidão
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Espelho partido
Incompletos
Mas você se engana, se pensa que me vejo
Essas histórias não são minhas
Ou são?
Ela fez juízos
E você foi para o inferno
Porque quis
Ele cala quando pode dizer
Fala quando pode calar
E já ignora a sabedoria por completo
Há também fantasmas
Os que já viveram
Os que não nasceram
E os que escolheram
Simplesmente existir
O punho fechado
O coração escancarado
O ódio sem razão
Sentada, frustrada,
Assisto à vida
* Poesia fruto de um desabafo
fruto de um fim de ano conturbado
fruto de muita mágoa (não necessariamente minha)
fruto da mediocridade que existe no ser humano.
Que árvore podre!
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Uma pergunta
E em tantos devaneios, caio sempre na mesma pergunta:
Como se fazer necessário ao outro
Respeitando-o?